Randstad Insight: Foco em Portugal

Por José Miguel Leonardo | CEO Randstad Portugal

O poder quando é entregue resulta num aumento de responsabilidade e numa grande oportunidade. Portugal faz parte de um pequeno grupo de países na Europa que tem uma maioria partidária, tendo um sistema político que privilegia a execução e a decisão governamental na figura do primeiro-ministro e da sua equipa. Depois das eleições, das análises dos vencedores e vencidos, das questões relacionadas com as sondagens e das viragens à direita de regiões que tradicionalmente estavam à esquerda é hora de nos focarmos apenas no que é importante – Portugal.

Portugal precisa dessa atenção, deste foco e de objetivos ambiciosos. Precisa de um plano estratégico e de agarrar uma oportunidade não apenas para acompanhar os seus congéneres europeus, mas para os conseguir superar. A estabilidade tem de ser garante de execução, acabando com as negociações em off que valiam tudo para a máquina não partir (como acabou por acontecer). Neste novo país não podemos transformar a assembleia da república numa nova versão “big brother famosos” e temos de exigir a todas as forças políticas que realmente se foquem no que é importante e não no populismo que envergonha uma nação.

O poder é responsabilidade, as promessas são compromissos e cada um de nós tem o papel de contribuir para o todo, que é Portugal. Um país que precisa de rever a sua atratividade para trabalhar, encontrar um equilíbrio entre a taxação e os salários, acabar de vez com a diabolização da flexibilidade laboral e adaptar-se aos novos modelos de trabalho, modelos que não foram inventados por empresas, mas que são praticados pelas organizações e por trabalhadores, pessoas que procuram esta nova forma de conciliar a sua vida pessoal e profissional.

Precisamos de produzir e ser produtivos, reduzir o presentismo e gerar riqueza, ter sindicatos que estejam junto das empresas de mangas arregaçadas a perguntar como vamos fazer juntos e não com luvas de pugilismo. A luta não é entre os trabalhadores e a empresa, é dos colaboradores, é da organização e é por maior produtividade para que os salários sejam melhores, para que o negócio seja sustentável, para que as pessoas cumpram o seu verdadeiro potencial.

Nesta maioria é preciso ter e cumprir um plano estratégico que não se reduza a uma visão de curto prazo. Vamos garantir que os pilares fundamentais não sejam esquecidos e que temas como a sustentabilidade ambiental, a diversidade, equidade e inclusão e a dignidade individual estão na agenda diária de uma nova legislatura. E por dignidade entenda-se a humanização do Estado e não as ideias do passado que vivem de uma máquina pública pouco ágil e desadequada às necessidades das pessoas e de um país de referência.

O passado tem de ser um trampolim para o futuro e não uma justificação para o que não se faz. O passado tem de ser uma aprendizagem para não repetir erros no futuro.

Portugal tem uma oportunidade, nós temos uma oportunidade para dar e exigir que este seja um ano de verdadeira viragem do nosso país, sem estratégias de comunicação em que os números são virados ao contrário para comunicar o sucesso que não aconteceu.

Aceitemos os números da democracia com o fair play de quem perdeu ou ganhou para que o grande resultado seja o de Portugal.

Artigo publicado na revista Executive Digest n.º 191 de Fevereiro de 2022

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