Rádio “mata” por engano o rei Carlos III, toca o hino e fica 16 minutos em silêncio. Apresentador entra em pânico

Segundo o ‘The Independent’, tudo começou durante o programa ‘The Barry Marsh Show’, quando foram reproduzidos ficheiros preparados para serem utilizados no caso da morte do monarca

Francisco Laranjeira

Uma rádio britânica anunciou por engano a morte do rei Carlos III, interrompeu a programação, tocou o hino nacional e permaneceu cerca de 16 minutos em silêncio. Quando o apresentador percebeu o que tinha acontecido, entrou em pânico e abandonou as instalações.

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O episódio aconteceu em maio na Radio Caroline, emissora de Essex, mas chegou agora uma decisão da Ofcom, regulador britânico das comunicações, que concluiu que a estação violou as regras relativas ao rigor das notícias e à correção rápida de informações erradas.

Segundo o ‘The Independent’, tudo começou durante o programa ‘The Barry Marsh Show’, quando foram reproduzidos ficheiros preparados para serem utilizados no caso da morte do monarca.

“Suspendemos a nossa programação normal até nova indicação, em sinal de respeito pelo falecimento de Sua Majestade, o rei Carlos III”, dizia uma das mensagens transmitidas.

Só que Carlos III não tinha morrido.

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Hino nacional e 16 minutos de silêncio

Depois do falso anúncio, a rádio transmitiu o hino nacional britânico e seguiu-se um período de aproximadamente 16 minutos de silêncio.

O apresentador acabaria por regressar ao ar para reconhecer que tinha sido transmitida informação incorreta.

“Acabei de ser informado de que transmitimos por engano alguma informação há pouco. Eu próprio não a ouvi, mas está incorreta, trata-se de um problema técnico e, naturalmente, pedimos desculpa”, afirmou.

A investigação da Ofcom revelou, porém, um detalhe que torna o episódio ainda mais insólito.

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Segundo a decisão do regulador citada pelo ‘The Independent’, quando o apresentador percebeu aquilo que tinha feito, interrompeu os ficheiros, “entrou em pânico e abandonou as instalações”.

A correção e o pedido de desculpas só foram transmitidos cerca de 30 minutos depois dos primeiros anúncios incorretos.

Um funcionário decidiu abrir os ficheiros “por curiosidade”

A origem do problema estava num conjunto de ficheiros que a Radio Caroline mantinha preparado para uma eventual morte do rei.

A estação explicou que esse material estava acompanhado por “um conjunto de instruções rigorosas” que apresentadores e responsáveis deveriam seguir antes de qualquer transmissão.

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Mas um funcionário decidiu reproduzi-lo por curiosidade.

Foi suficiente para que o protocolo preparado para uma das notícias mais importantes do Reino Unido fosse colocado no ar sem qualquer fundamento.

A Radio Caroline afirmou posteriormente que o trabalhador foi repreendido e pediu desculpa pelo sucedido.

Ofcom recebeu duas queixas

O regulador recebeu duas queixas relacionadas com a transmissão e concluiu agora que a Radio Caroline infringiu duas regras do código de radiodifusão.

Uma determina que as notícias devem ser apresentadas com o devido rigor e imparcialidade. Outra exige que erros significativos sejam reconhecidos e corrigidos rapidamente durante a emissão.

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Para a Ofcom, anunciar erradamente a morte do chefe de Estado estava muito longe de constituir um erro menor.

“Considerámos tratar-se de uma inexatidão muito significativa sobre uma questão de particular importância pública”, concluiu o regulador.

A Ofcom sublinhou igualmente que passaram aproximadamente 30 minutos entre a primeira transmissão das mensagens falsas e o esclarecimento e pedido de desculpas.

Problema foi detetado, mas demorou a ser resolvido

O regulador reconheceu que a estação estava a acompanhar a emissão e que um engenheiro já tinha percebido que existia um problema.

Ainda assim, demorou algum tempo até ser possível compreender exatamente o que tinha acontecido e recuperar a programação prevista.

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A situação tornou-se mais complicada porque o apresentador estava a transmitir o programa remotamente.

A Radio Caroline defendeu que levou o incidente “muito a sério” e que agiu “assim que possível” para corrigir a informação.

Além da repreensão ao funcionário envolvido, a estação decidiu retirar os ficheiros em causa do ambiente de trabalho do computador do estúdio.

Apresentadores e restantes funcionários foram também novamente informados sobre os procedimentos que devem ser seguidos nestas situações.

O material continuará a existir para o dia em que venha efetivamente a ser necessário. Mas, depois de uma falsa morte, um hino nacional, 16 minutos de silêncio e um apresentador em pânico, a Radio Caroline decidiu pelo menos que deixá-lo a um clique de distância não era a melhor ideia.

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