«Radical e agressiva». Criadores denunciam campanha contra consumo de carne

Os criadores de vacas mostram-se preocupados com o que dizem ser uma campanha política para acabar com o consumo de carne, através de «propostas demagógicas e populistas» que «constituem um efectivo ataque ao ‘mundo rural’».

Executive Digest

A proposta do partido Pessoas–Animais–Natureza para uma taxa de 81 cêntimos por quilo de carne não passou na aprovação do Orçamento do Estado para 2020, mas os criadores de vacas mostram-se preocupados com o que dizem ser uma campanha política para acabar com o consumo de carne, através de «propostas demagógicas e populistas» que «constituem um efectivo ataque ao ‘mundo rural’».

A denúncia foi feita ao “Público” pela Associação Nacional dos Engordadores de Bovinos (ANEB), que representa criadores de bovinos em todo o território continental e Açores, e tem maior peso nas regiões da Estremadura, Ribatejo e Alentejo, num efectivo total de cerca de 150 mil cabeças de gado. «A coberto de motivações ambientalistas, a proposta do PAN para taxar a carne esconde uma agenda radical e agressiva, que pretende alterar os hábitos de consumo e as opções de escolha dos portugueses», acusa.

Em declarações ao jornal, o presidente da ANEB, Nuno Lagoa Ramalho deixou garantias: «Nós respeitamos os hábitos alimentares de toda a gente, mas também tem que ser respeitada a tradição alimentar dos povos, que tem milhares de anos».

Nuno Lagoa Ramalho defende que «as pastagens são os maiores retentores de carbono» e acrescenta que não estão a ser tidos em conta «os impactos ambientais positivos do sector agro-pecuário na fixação de populações nas zonas rurais e do interior e a sua relevância no ordenamento do território, na sustentabilidade das terras e no contributo decisivo que dão para assegurar a biodiversidade». «Damos emprego a milhares de pessoas no interior, andamos a tentar puxar novas gerações para o sector, e há já muitos jovens a abraçar a actividade – com estas propostas, estão a ser tratados como criminosos», referiu ainda, considerando que «são barbaridades que se estão a fazer ao sector».

A consumar-se a aplicação de taxas sobre a carne, seria «um perigo para o mundo rural». Os criadores argumentam que «resultaria, de imediato, numa quebra da produção nacional» com consequências para a economia portuguesa, que ainda importa metade da carne que consume, e na perda de competitividade dos empresários portugueses, que «têm tornado o agro-pecuário nacional e a qualidade dos seus produtos cada vez mais reconhecidos e apreciados» em Portugal e no estrangeiro.

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Acrescentam também que seria uma «medida discriminatória com impacto acrescido junto dos consumidores com menos recursos económicos».

Recorde-se que, a proposta do PAN visava a criação de uma «taxa de carbono» de 81 cêntimos por quilo de carne de vaca, 1,18 euros por quilo de carne de borrego e cabrito, 33 cêntimos para a de peru, porco (36 cêntimos) e frango (21 cêntimos).

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