A discriminação racial nos serviços públicos é duas vezes superior nos grupos de minorias étnicas e esse fator pode estar a causar hesitação na toma da vacina, de acordo com um estudo britânico hoje divulgado e citado pelo ‘Independent’.
A pesquisa da Royal Society for Arts, Manufactures and Commerce (RSA) do Reino Unido revelou disparidades substanciais causadas pelo impacto da Covid-19, que, segundo a instituição, podem ajudar a explicar a baixa aceitação das vacinas por parte das minorias.
Pessoas oriundas de minorias étnicas são muito mais propensas a relatar uma experiência de discriminação, com 52% dos asiáticos e 50% dos negros, inquiridos na pesquisa, a referir que enfrentaram discriminação no acesso a serviços locais, em comparação com 19% da restante população.
Grupos minoritários, incluindo quase 46% de cidadãos asiáticos, 41% de etnia mista e mais de um terço dos inquiridos de raça negra (39%), lutaram ou não conseguiram obter apoio governamental durante a pandemia, apesar de serem elegíveis para tal, de acordo com o mesmo relatório.
A pesquisa, que envolveu 2.600 pessoas no Reino Unido, realizada em março, sugere que estes níveis mais elevados de discriminação e desconfiança nas comunidades de minorias étnicas podem ser um fator importante para o aumento das taxas de hesitação na toma da vacina.
No grupo daqueles que disseram estar hesitantes com a vacina, 59% referiram que sofreram discriminação no acesso aos serviços locais no passado, contra 33% que não sofreram. Entrevistas adicionais realizadas dentro da pesquisa, também sugeriram uma ligação entre essa discriminação e menor aceitação da vacina nos mesmos grupos.
Anthony Painter, diretor de pesquisa da RSA, disse: «As evidências da nossa pesquisa lançam sérias dúvidas sobre a ideia de que o racismo institucional não é um problema no Reino Unido. Pessoas de minorias étnicas têm muito mais probabilidade de sofrer discriminação nos serviços públicos, e vimos algumas evidências de que isto está relacionado com a ‘hesitação na toma da vacina’.
«Com muita frequência, falamos sobre por que motivo as minorias étnicas têm menos probabilidade de confiar naqueles que prestam serviços públicos, o que coloca o ónus sobre essas comunidades, em vez de nos focarmos nas graves falhas do serviço», concluiu.














