A subida das taxas Euribor vai limitar o montante máximo que os bancos estão autorizados a emprestar, podendo a redução atingir cerca de 30% já no próximo mês, revelou esta segunda-feira o jornal ‘Público’. A redução da capacidade de endividamento vai também afetar especialmente os particulares com rendimentos mais baixos ou reduzida poupança que, face às regras em vigor, terão de garantir pelo menos 10% do valor da aquisição do imóvel, além das despesas inerentes à operação.
O prazo dos contratos, limitados em função da idade dos particulares no momento do pedido de crédito, é outro fator a dificultar o acesso a novos empréstimos. Segundo uma simulação da Eupago, intermediário de crédito, um casal, com 30 anos, com um rendimento mensal líquido de 1.800 euros, sem descendentes ou outros empréstimos, poderia, em janeiro último, obter um financiamento de 226 mil euros, a pagar em 37 anos. Mas a subida das taxas (2%) vai implicar, em setembro, que o mesmo casal só consiga financiar-se em 163,5 mil euros – menos 28%. Se o acréscimo do Euribor atingir 2,5%, um valor que poderá ser atingido no próximo mês, o montante cai para 154,2 mil euros.
Os motivos? Desde logo, a subida das taxas Euribor, associada à maioria dos novos empréstimos à habitação em Portugal, mas também os limites impostos pelo Banco de Portugal desde 2018 (quando as taxas Euribor estavam negativas), para limitar o risco do endividamento excessivo das famílias. O Banco de Portugal não deverá alterar a fórmula de cálculo do DSTI com o acréscimo dos 3% mas diz estar a acompanhar a situação. “Enquanto autoridade macroprudencial, acompanha os desenvolvimentos macroeconómicos e financeiros e continuará a monitorizar o cumprimento da recomendação, bem como a promover alterações na mesma, sempre com o objetivo de reforçar a sua eficácia”, frisou o órgão regulador ao jornal diário.





