Quem vota em André Ventura? Conheça os apoiantes que recusam o rótulo de extrema-direita

O eleitor da direita radical na Europa é homem, jovem, com baixa instrução, pequeno proprietário ou desempregado. Em Portugal, porém, um inquérito do ICS/ISCTE encomendado pelo jornal Expresso mostra que essa descrição não corresponde à de quem vota no partido mais à direita com lugar na Assembleia da República, o Chega.

Segundo o mesmo jornal, o eleitorado do partido liderado por André Ventura – que hoje prometeu uma limpeza interna – apresenta uma tipologia heterogénea, tal como demonstrou a assistência do anúncio da candidatura presidencial em Portalegre, no início de Março.

O Expresso dá conta de nove casos por entre 500 participantes: Manuel Alvez que foi do PCP até 1985; Heraldo Peliche que costumava votar no PSD ou no CDS; Ricardo Ralha que contribuía para a percentagem de abstencionistas; Paulo Sapata e Marta Parlecos que pensavam que a “política estava morta”; Joaquim Chilrito que nunca tinha tido militância política; Alberto Rocha que só votou em Sá Carneiro; Gonçalo Afonso que tanto votava à esquerda como à direita; e Ana Amaral que só descobriu o Chega dois dias depois das últimas eleições legislativas.

Em Portugal, segundo o inquérito do ICS/ISCTE realizado em Fevereiro, o eleitor-tipo do partido de André Ventura é mais politizado do que o da direita tradicional. Além disso, um em cada cinco dos potenciais eleitores do Chega frequentou o ensino superior e cerca de 50% são mulheres.

«O Chega é aquilo que nós falamos no café. É a verdade pura e crua», comenta o agente da GNR Paulo Sapata, um dos presentes no jantar de gala que teve lugar no mês passado. No sentido inverso, os partidos tradicionais «falam para um eleitorado que ouve palavreados e floreados que não dizem nada». A mulher Marta Parlecos, que trabalha como empregada de limpeza e gerente de um alojamento local, elogia ainda a forma como o líder do Chega simplifica o discurso e a abordagem. «Acho que é melhor ele simplificar. Os outros prometem mundos e fundos e depois não cumprem», conta ainda à mesma publicação.

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