O jornal Financial Times noticiou esta quarta-feira que Christine Lagarde pretendia abandonar o cargo de presidente do Banco Central Europeu antes do final do mandato, mas um porta-voz da instituição disse que a dirigente “não tomou nenhuma decisão”. “A presidente [Christine] Lagarde está totalmente concentrada na missão que está a desempenhar e não tomou nenhuma decisão sobre o fim do mandato”, afirmou o porta-voz numa mensagem enviada à Agência France Presse, desmentindo assim as informações divulgadas hoje pelo jornal britânico.
No entanto, Christian Schulz, Economista-Chefe da Allianz Global Investors (Allianz GI), afirma que estas especulações circulam há algum tempo, e adianta alguns nomes que poderiam suceder a Lagarde no comando do regulador bancário Europeu.
Entre os nomes em discussão, destacam-se candidatos de Estados-membros que nunca ocuparam a presidência do BCE. De Espanha surge Hernández de Cos, apontado como alguém que poderá privilegiar o equilíbrio económico em detrimento das expectativas de inflação, num sinal de um BCE potencialmente mais intervencionista. Da Alemanha, os nomes de Nagel, Schnabel e Kukies são considerados fortes candidatos, com Nagel e Kukies vistos como defensores de uma política mais restritiva, enquanto Schnabel adota uma postura ainda mais rigorosa, embora as suas hipóteses sejam limitadas devido à não renovabilidade do seu mandato. Dos Países Baixos surge Klaas Knot, historicamente cético relativamente às ferramentas não convencionais e à expansão do balanço, mantendo uma postura mais moderada no período pós-pandemia.
A escolha de um sucessor de Lagarde poderia ter impacto nos mercados europeus. Um mandato de Hernández de Cos aumentaria as expectativas de cortes nas taxas de juro, enquanto os outros candidatos tornam essas reduções menos prováveis. Schnabel, por sua vez, poderia reforçar especulações sobre novos aumentos das taxas. Além do cargo de presidente, outros postos estratégicos no BCE, como os mandatos de Philip Lane (Irlanda) e Isabel Schnabel (Alemanha), também poderão ser afetados, podendo ser alterados antecipadamente consoante negociações políticas.







