Quem vai ganhar o Mundial? Estudo com inteligência artificial aponta um claro favorito

Faltam apenas alguns dias para o arranque do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, que decorrerá entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México.

Pedro Zagacho Gonçalves

Faltam apenas alguns dias para o arranque do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, que decorrerá entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, e um novo estudo científico já tenta responder à pergunta que domina adeptos e especialistas: quem tem mais probabilidades de conquistar o troféu?

Uma equipa de investigadores da Universidade de Innsbruck, na Áustria, desenvolveu um modelo estatístico avançado para calcular as probabilidades de sucesso das 48 seleções participantes. Os resultados colocam a Espanha na liderança das previsões, surgindo como a equipa com maior probabilidade de vencer a competição.

Segundo os cálculos dos investigadores, a seleção espanhola apresenta uma probabilidade de 14,5% de conquistar o título mundial, numa corrida que se prevê particularmente equilibrada entre as principais potências do futebol internacional.

Espanha lidera uma disputa muito equilibrada
Embora a Espanha ocupe o primeiro lugar das previsões, a margem para os restantes candidatos é reduzida.

A Inglaterra surge logo atrás com 12,4% de hipóteses de vencer o torneio, exatamente a mesma percentagem atribuída à França. A Alemanha aparece em quarto lugar, com 11,2%.

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De acordo com Achim Zeileis, um dos responsáveis pelo estudo, a edição de 2026 apresenta um cenário muito mais aberto do que em competições anteriores.

“Comparativamente com torneios anteriores, a corrida pelo título este ano está muito equilibrada”, afirmou o investigador.

Logo atrás do grupo dos principais favoritos surgem Portugal, com 8,9% de probabilidade de triunfo, e a Argentina, atual campeã mundial, com 8,2%.

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A lista dos candidatos mais fortes inclui ainda os Países Baixos, com 5,6%, e o Brasil, com 4,7%.

A fechar o grupo das dez seleções mais bem posicionadas encontram-se a Bélgica e a Noruega.

Como foram calculadas as probabilidades
Para desenvolver as previsões, os investigadores recorreram a uma vasta quantidade de dados relacionados com o desempenho das seleções nacionais.

Entre os fatores analisados estiveram os resultados obtidos em competições internacionais anteriores, as odds das casas de apostas para o Mundial de 2026, as classificações individuais dos jogadores em clubes e seleções, bem como o valor médio de mercado dos plantéis.

Toda esta informação foi posteriormente integrada através de um algoritmo de aprendizagem automática (machine learning), capaz de estimar o número provável de golos em todos os confrontos possíveis entre as 48 seleções participantes.

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Os investigadores explicaram que o sistema calcula os resultados expectáveis de cada encontro e, a partir dessas projeções, simula o torneio completo, permitindo estimar as probabilidades de progressão e sobrevivência de cada equipa ao longo das diferentes fases da competição.

Portugal entre os candidatos ao título
Entre as seleções apontadas como potenciais vencedoras, Portugal ocupa uma posição de destaque.

Com uma probabilidade estimada de 8,9%, a equipa portuguesa aparece à frente de potências históricas como os Países Baixos e o Brasil, integrando o grupo restrito dos principais candidatos à conquista do Mundial.

A previsão sugere que Portugal poderá beneficiar da qualidade individual do seu plantel e do desempenho recente em competições internacionais para assumir um papel relevante na luta pelas fases decisivas da prova.

As seleções com menos hipóteses de vencer
No extremo oposto da classificação encontra-se a Jordânia, apontada pelo modelo estatístico como a seleção com menos probabilidades de conquistar o troféu.

A lista das equipas menos favoritas inclui ainda o Qatar, o Iraque, a África do Sul e Curaçau.

Seguem-se a Arábia Saudita, a Nova Zelândia, o Haiti, o Panamá e o Uzbequistão.

Entre as seleções britânicas, a Escócia surge também muito longe dos primeiros lugares, apresentando apenas 0,2% de hipóteses de se tornar campeã mundial.

Investigadores alertam para a imprevisibilidade do futebol
Apesar das previsões, os autores do estudo fazem questão de sublinhar que os resultados não devem ser interpretados como certezas.

Andreas Groll, investigador da Universidade Técnica de Dortmund e coautor do trabalho, recorda que mesmo a seleção considerada favorita tem probabilidades relativamente reduzidas de vencer o torneio.

“A probabilidade de o principal favorito ganhar efetivamente a competição raramente ultrapassa os 20%, o que significa que existe uma probabilidade de cerca de 80% de outra equipa acabar por conquistar o título”, explicou.

O especialista acrescenta que, do ponto de vista estatístico, é mais relevante verificar se as equipas apontadas como favoritas conseguem efetivamente chegar às fases mais avançadas da competição do que acertar necessariamente no vencedor final.

Um histórico de previsões bem-sucedidas
Os investigadores destacam ainda que modelos semelhantes utilizados anteriormente obtiveram resultados muito positivos.

Segundo a equipa, as previsões realizadas para o Campeonato do Mundo de 2010, para o Euro 2012 e para o Campeonato do Mundo Feminino de 2019 revelaram-se particularmente precisas.

Ainda assim, os cientistas reconhecem que a natureza imprevisível do futebol continua a deixar espaço para surpresas.

“As previsões probabilísticas deixam muito espaço para surpresas e emoção durante o Campeonato do Mundo de 2026”, referem os autores do estudo, acrescentando que aguardam o torneio “mais como adeptos de futebol do que como previsores profissionais”.

Mundial poderá ser marcado pelo calor extremo
As previsões surgem poucos dias depois de outro estudo científico ter alertado para um problema potencialmente grave durante o Mundial de 2026: as temperaturas extremas previstas para várias cidades anfitriãs.

Investigadores da organização World Weather Attribution analisaram as condições meteorológicas esperadas para os 104 jogos da competição e concluíram que cerca de um quarto dos encontros poderá ser disputado em condições consideradas inseguras.

Mais preocupante ainda, cinco partidas poderão decorrer sob temperaturas tão elevadas que os especialistas recomendam o respetivo adiamento.

Entre os locais identificados como particularmente problemáticos estão Miami, Kansas City, Nova Iorque e Filadélfia, cidades onde vários jogos serão realizados em estádios sem sistemas de ar condicionado.

Um dos encontros referidos pelos investigadores é o Escócia-Brasil, agendado para 24 de junho em Miami.

Segundo Joyce Kimutai, investigadora do Imperial College London e autora do estudo climático, as condições meteorológicas atuais representam uma realidade muito diferente da existente há apenas algumas décadas.

“O clima em que este torneio será disputado mudou fundamentalmente nos últimos 32 anos”, alertou a especialista, acrescentando que existe um risco real de alguns jogos decorrerem em condições inseguras tanto para jogadores como para adeptos.

Com o início da competição cada vez mais próximo, as previsões estatísticas apontam para uma das edições mais equilibradas da história recente do Mundial, onde Espanha, Inglaterra, França, Alemanha e Portugal aparecem entre os principais candidatos, mas onde a margem para surpresas continua a ser enorme.

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