A liderança de Angela Merkel como chanceler vai terminar, tal como a própria tem insistido, dentro de pouco mais de um ano. Mas nesta caminhada final os alemães não parecem estar prontos para deixar ir.
O fim deste percurso político de Merkel está agendado para outubro de 2021 mas à mediada que o tempo vai passando, a chanceler está cada mais popular. O índice de aprovação pessoal da líder alemã subiu para mais de 70% nos últimos meses, em grande parte graças à sua gestão da pandemia do novo coronavírus, acima da faixa dos 50% obtida há um ano atrás, noticia o ‘Politico’.
Contudo, este encantamento dos alemães por Merkel pode vir a constituir um problema sério em matéria de sucessão. E para muitos analistas, a questão de quem liderará a Alemanha daqui a um ano é hoje menos clara do que alguma vez foi nas últimas décadas.
A escolha original de Merkel para sua sucessora, a ministra da Defesa Annegret Kramp-Karrenbauer, saiu da corrida em fevereiro depois de concluir que não tinha apoio suficiente dos seus colegas democratas cristãos (CDU). Esta decisão desencadeou um novo concurso para a liderança da CDU, que assumiu como presidente de Merkel no final de 2017.
Embora a atual competição seja nominalmente para a liderança do partido, é expectável que o vencedor se torne candidato a chanceler do partido em 2021.
Mas veio a pandemia e não só forçou o adiamento de uma decisão até o final do ano, como também prejudicou o concurso, provocando dúvidas sobre o perfil de alguns dos candidatos.
E foco recai desde logo em Armin Laschet, primeiro-ministro regional da Renânia do Norte-Vestfália, que parecia ter uma vantagem na competição logo após o anúncio de Kramp-Karrenbauer.
Um dos favoritos de Merkel, Laschet combina uma voz moderada com a gravidade que vem do estado mais populoso da Alemanha. Laschet também goza de uma longa reputação como europeu dedicado. Mas também tudo mudou com a pandemia.
A resposta de Laschet à pandemia no seu estado levantou sérias questões sobre o seu julgamento. Embora a Renânia do Norte-Vestfália estivesse entre as regiões mais atingidas da Alemanha, ele hesitou em impor restrições à população para impedir a propagação do vírus. E embora tenha seguido o exemplo de outros estados ao fechar restaurantes, bares e a maioria das lojas, também foi um dos primeiros a pedir o levantamento das medidas.
Podia então abrir-se outras oportunidades para outros candidatos. Mas não é bem assim. Norbert Röttgen, outro moderado que chefia o comité de relações exteriores do parlamento alemão, e Friedrich Merz, um conservador, advogado corporativo – não se mostram mais populares.
O ministro da Saúde, Jens Spahn, que concorreu contra Kramp-Karrenbauer e Merz em 2017 e perdeu, também é uma incógnita. Alguns conservadores influentes – incluindo Wolfgang Schäuble , presidente do parlamento alemão e ex-ministro das Finanças – vêem Spahn, de 40 anos, como o futuro do partido, mas até agora permanece em segundo plano.
Este cenário de fragilidade da CDU abriu as portas para Markus Söder, de 53 anos, da Baviera e líder da União Social Cristã (CSU), o partido irmão da CDU. Em contraste com Laschet, a popularidade de Söder aumentou durante a crise. Conhecido pelas roupas extravagantes, Söder, que assumiu a CSU no ano passado, capturou rapidamente a atenção da direita do centro. Mas este possível sucessor ainda não revelou qualquer interesse na corrida ao cargo.













