Quem quer uma ‘cidade fantasma’ com casino e spa que Espanha e Portugal utilizavam para transportar produtos ilegais?

A Herdade do Pereiro está localizada a poucos quilómetros da fronteira espanhola. De facto, a sua pista de aterragem foi utilizada durante a II Guerra Mundial para o contrabando de mercadorias entre Portugal e Espanha

Francisco Laranjeira

Uma aldeia histórica na região do Alentejo, desabitada desde a década de 1990, foi colocada à venda por 9 milhões de euros: a localidade chama-se Herdade do Pereiro.

Nos seus ‘tempos de glória’, foi uma cidade autossuficiente, com cerca de mil trabalhadores, com casas, escola, uma creche, capela, uma cantina, um spa e até um campo de aviação: atualmente, é apenas uma ‘cidade fantasma’ – que tem uma área habitacional de 20 mil metros quadrados e 80 hectares de olival e sobreiro -, com casas degradadas que já não são habitáveis.



A Herdade do Pereiro está localizada a poucos quilómetros da fronteira espanhola. De facto, a sua pista de aterragem foi utilizada durante a II Guerra Mundial para o contrabando de mercadorias entre Portugal e Espanha.

Esta vila alentejana foi adquirida em 1931 por João Nunes Sequeira, que era na altura um dos maiores empresários da região. Sequeira montou inicialmente uma fábrica de pimenta, mas depois expandiu o seu negócio para incluir lagares de azeite, adegas, oficinas e moinhos. Isto traduziu-se em centenas de postos de trabalho, que deram vida à Herdade do Pereiro.

Para além do trabalho, o lazer também teve um papel de destaque na cidade: neste sentido, destacou particularmente o complexo termal da Fadagosa, com mais de 100 anos de existência, entregue a João Nunes Sequeira em 1942.

Para além dos banhos termais, a agora ‘cidade fantasma’ recebeu a primeira licença de jogo e casino em Portugal e possuía um salão de jogos que atraía muitas pessoas que não residiam na Herdade do Pereiro.

Situada numa área de grande beleza natural, a aldeia encontra-se atualmente ao abandono, sendo uma sombra do que foi outrora. No passado, era um centro vibrante de atividade económica e social, sustentado por recursos próprios que garantiam o funcionamento independente da comunidade. A herdade possuía habitações para os trabalhadores e suas famílias, bem como serviços essenciais que asseguravam a qualidade de vida dos residentes.

O espaço foi concebido para ser uma unidade produtiva sustentável, mas, com o passar dos anos, a população foi diminuindo e as infraestruturas foram sendo gradualmente desativadas. Atualmente, a aldeia apresenta sinais visíveis de degradação, embora mantenha o seu potencial para projetos de requalificação, seja para fins turísticos, agrícolas ou de conservação patrimonial.

Embora não haja, até ao momento, informações sobre potenciais compradores, a venda da aldeia representa um desafio e uma oportunidade para revitalizar um espaço com história e devolver-lhe a importância que teve no passado. Resta agora saber se este património encontrará um novo propósito e se poderá voltar a ser um local dinâmico e habitado no futuro.

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