Os russos têm negado as acusações, mas para americanos e britânicos não há dúvidas: o presidente russo tem um homem muito particular em mente para instalar aos comandos do país vizinho.
A alegação foi tornada pública numa declaração oficial do ministério dos negócios estrangeiros britânico, na qual se argumentava que há informações mais do que credíveis para acreditar que o governo de Putin quer instalar um determinado líder pró-russo em Kiev. E o homem em causa chama-se Yevheniy Murayev.
Murayev bem negou estas alegações de tentativa de golpe para tomar o poder no seu país, apoiando as pretensões de Putin. Mas, ao que conta a imprensa internacional, ao longo de toda a sua carreira, Murayev, 45 anos, tem sido sempre um fiel amigo das causas russas. O seu ponto de vista coincide, praticamente, com as posições oficiais russas, e até quando fala em público prefere expressar-se em russo em vez de ucraniano.
Nascido na cidade oriental de Kharkiv perto da fronteira russa em 1976, Murayev faz parte de um grupo de políticos em oposição à liderança pró-ocidental que tomou o poder após os protestos de rua de Maidan de 2014. Com lugar no parlamento desde em 2014, a verdade é que Murayev foi eleito por um partido pró-russo. E mais tarde, formou outro partido – Nashi – que faz também oposição assumida aos partidos pró-ocidentais no país. Quatro ano depois, lançou o seu próprio canal de televisão – Nash, que é também, claro, um canal de notícias pró-russo.
Servindo-se dessa rede, Murayev consegiu então ganhar maior visibilidade e, de acordo com a Reuters, as mais recentes sondagens já o colocam entre os os melhores candidatos a ganhar a corrida presidencial de 2024.
Além disso, as suas críticas ao atual presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, têm subindo de tom: primeiro acusou-o de ser controlado pelo ocidente; depois, repetiu o argumento (russo!) de que a Ucrânia poderia tentar recuperar território controlado pela Rússia.
“Zelenskyy é um refém e está a ser chantageado pelo MI6, pela CIA e pelo ocidente em geral. Amanhã, podem forçá-lo a lançar uma ofensiva que conduzirá a uma gerra em larga escala”, acusou, referindo-se à possibilidade cada vez mais real de confrontos na região da Ucrânia onde os separatistas pró-russos combatem o governo desde 2014.












