Quem é o “General Armageddon”? Novo comandante militar da Rússia na Ucrânia é conhecido pela capacidade de agir “brutalmente” na guerra

General Sergey Surovikin tem 55 anos e vai comandar as tropas russas na invasão

Francisco Laranjeira

A 8 de outubro, no mesmo dia em que uma grande explosão atingiu a ponte que liga a Crimeia à Rússia, o Ministério da Defesa russo anunciou que o general Sergey Surovikin havia sido nomeado o novo comandante das forças russas na Ucrânia. O anúncio marca a primeira vez que um indivíduo foi oficialmente declarado responsável pelo esforço de guerra; anteriormente, apenas os comandantes que lideravam grupos específicos de forças eram nomeados publicamente pelo ministério.

Surovikin, que os media russos chamaram de “General Armageddon” pela sua capacidade de agir “brutalmente” na guerra, ganhou as manchetes pela primeira vez durante o fracassado golpe soviético de 1991, quando três manifestantes foram mortos sob seu comando.

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, nomeou um novo comandante para liderar as forças russas na Ucrânia: o general Sergey Surovikin. Em 2017, Surovikin foi nomeado Comandante das Forças Aeroespaciais Russas e, desde o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, ele liderou o grupo de forças “Sul” da Rússia, que capturou a cidade de Sievierodonetsk.

Em abril, a ‘BBC News’ informou que o general Alexander Dvornikov, chefe do Distrito Militar do Sul da Rússia, havia sido colocado no controlo do esforço de guerra do país na Ucrânia. Mais tarde, um grupo de investigadores independentes da Equipa de Inteligência de Conflitos, citando uma fonte, informou que o vice-ministro da Defesa, Gennady Zhidko, havia substituído Dvornikov como o líder das tropas da Rússia.

Agora com 55 anos, Surovikin já serviu nas forças especiais soviéticas, inclusive no Afeganistão. Durante a tentativa de golpe de 1991, o então jovem de 24 anos estava no comando da 2ª Divisão de Fuzileiros Motorizados da Guarda, que tentou romper as barricadas no cruzamento do Garden Ring de Moscovo com a Avenida Novy Arbat. Três manifestantes foram mortos nos confrontos. Surovikin passou vários meses sob custódia, mas as acusações contra ele foram levantadas (o Ministério Público de Moscovo determinou que ele estava “a cumprir as ordens do seu comando”).

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Sergey Surovikin mais tarde participou do conflito armado que abalou o Tajiquistão no início dos anos 1990 e na Segunda Guerra Chechena. O líder checheno Ramzan Kadyrov escreveu no sábado que conhece bem Surovikin há quase 15 anos, acrescentando que “o grupo unido de forças está agora em boas mãos” e que está confiante de que Surovikin “fará as coisas certas” na frente.

Surovikin também liderou as tropas russas na Síria, depois de ter sido nomeado comandante das forças russas na Síria em maio de 2017. Em outubro daquele ano, ele foi encarregado das Forças Aeroespaciais Russas e, em dezembro, foi nomeado Herói da Rússia pela operação que liderou na Síria. Em agosto de 2021, Surovikin foi promovido ao posto de general – o posto mais alto ocupado por qualquer oficial atualmente ao serviço nas forças armadas da Rússia.

Segundo uma fonte próxima ao Kremlin, Surovikin é um defensor do lançamento de ataques de mísseis em larga escala em infraestruturas, incluindo infraestruturas civis. “Surovikin não é sentimental”, diz-se nos corredores do Kremlin.

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