Aos 43 anos, Mykhailo Drapatyi tornou-se o novo comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, substituindo Oleksandr Syrskyi. É o terceiro militar a ocupar o cargo desde o início da invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022, e chega envolto em expectativas elevadas tanto entre os soldados como na sociedade ucraniana.
A sua nomeação foi bem recebida por militares, analistas e movimentos civis, que viam em Drapatyi um comandante mais próximo das tropas e capaz de imprimir uma nova estratégia ao exército.
I have decided that Mykhailo Drapatyi will become the new Commander-in-Chief of the Armed Forces of Ukraine. Together with Mykhailo, Yevhenii Khmara, and Pavlo Palisa, we determined how the General Staff of the Armed Forces of Ukraine should be reconfigured. It is a fact that… pic.twitter.com/spK2B2ppHP
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) July 21, 2026
Do curso de tanques às linhas da frente
Natural de 1982, Drapatyi formou-se no Instituto de Tropas Blindadas de Kharkiv, em 2004, iniciando a carreira como tenente.
O seu nome ganhou projeção em 2014, quando um vídeo se tornou viral ao mostrar o veículo blindado que comandava a romper uma barricada montada por separatistas pró-russos durante a operação para recuperar a cidade de Mariupol.
Mykhailo Drapatyi was the commander of the legendary BMP-2 that broke through Russian-backed barricades in Mariupol on May 9, 2014.
At the time, Russian-backed militants were attempting to seize control of the city. Drapatyi led the armored breakthrough that helped Ukrainian… pic.twitter.com/Tg5mX3mgzJ
— Saint Javelin (@saintjavelin) July 21, 2026
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Mais tarde, nesse mesmo ano, foi elogiado por conseguir retirar unidades ucranianas cercadas na região de Lugansk.
Em 2021 regressou aos estudos para aprofundar a formação operacional e estratégica, terminando o curso como o melhor aluno e recebendo uma espada de honra entregue pela então embaixadora britânica na Ucrânia, Melinda Simmons.
Um dos comandantes mais respeitados da Ucrânia
Quando a Rússia lançou a invasão em grande escala, em fevereiro de 2022, Drapatyi era comandante-adjunto das Forças Conjuntas.
Ao longo da guerra liderou vários agrupamentos operacionais, travando o avanço russo em direção a Kryvyi Rih e participando na libertação de várias localidades das regiões de Kherson e Dnipropetrovsk.
Em 2024 assumiu o comando das forças terrestres, passando a dirigir algumas das zonas mais difíceis da frente oriental.
Entre os militares ganhou reputação por privilegiar a preparação das tropas e por demonstrar maior preocupação com as vidas dos soldados do que muitos dos seus antecessores.
O general que assumiu a responsabilidade
Um dos episódios que mais marcou a sua imagem aconteceu em 2025.
Depois de um ataque russo contra um campo de treino na região de Dnipropetrovsk provocar a morte de 12 militares e ferir cerca de 60, Drapatyi apresentou a demissão no próprio dia, assumindo responsabilidade política e moral pelo sucedido.
Na altura escreveu que “um exército em que os comandantes assumem responsabilidade pela vida dos militares continua vivo. Um exército em que ninguém responde pelas perdas acaba por morrer”.
O gesto foi visto como um raro exemplo de responsabilização entre os altos comandos militares e acabou por reforçar o prestígio de Drapatyi. Em vez de aceitar a demissão, Volodymyr Zelensky promoveu-o para comandante das Forças Conjuntas.
A esperança de uma nova estratégia
Nos meses seguintes cresceram as notícias sobre alegadas divergências entre Drapatyi e Syrskyi, sobretudo quanto à condução da guerra.
Analistas e militares consideram que o novo comandante representa uma geração diferente de oficiais, mais aberta à inovação tecnológica e menos dependente de ofensivas frontais de elevado custo humano.
Segundo Mykola Bielieskov, analista da organização ucraniana Come Back Alive, Drapatyi goza de uma reputação particularmente forte entre os militares que entraram para o exército depois da invasão russa.
Ainda assim, alerta que o novo comandante terá de gerir limitações políticas, dependência da ajuda militar ocidental, dificuldades no recrutamento e problemas persistentes de corrupção ligados à mobilização e às aquisições militares.
Uma tarefa que muitos consideram quase impossível
Nas primeiras declarações após a nomeação, Drapatyi prometeu trabalhar “sem grandes promessas”, assumindo responsabilidade pelas decisões e demonstrando respeito pelos militares que combatem na linha da frente.
O novo comandante terá também de acelerar a modernização das forças armadas e aproveitar os avanços tecnológicos que permitiram à Ucrânia desenvolver drones e outros sistemas que têm alterado o equilíbrio no campo de batalha.
Apesar do entusiasmo gerado pela sua chegada, antigos responsáveis ucranianos avisam que as expectativas são enormes.
O antigo comandante-chefe Valerii Zaluzhnyi afirmou que Drapatyi terá “uma tarefa muito mais difícil do que imagina”, enquanto outros analistas lembram que qualquer comandante na Ucrânia acaba inevitavelmente por ser julgado pelos resultados de uma guerra que continua longe do fim.
Ainda assim, para muitos soldados ucranianos, a nomeação representa uma oportunidade para renovar a liderança militar e adaptar o exército a uma guerra cada vez mais tecnológica, prolongada e exigente.



















