“Quem brincar com fogo, vai-se queimar”: China ameaça cortar a cabeça à primeira-ministra japonesa por causa de Taiwan

A relação entre China e Japão voltou a atingir níveis de tensão elevados com as recentes declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um potencial ataque de Pequim a Taiwan. A líder conservadora nipónica, em funções há menos de um mês, afirmou no Parlamento que um ataque chinês contra Taipei poderia desencadear uma resposta militar por parte de Tóquio, reacendendo uma velha crise diplomática entre os dois países.

Pedro Gonçalves
Novembro 14, 2025
13:28

A relação entre China e Japão voltou a atingir níveis de tensão elevados com as recentes declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um potencial ataque de Pequim a Taiwan. A líder conservadora nipónica, em funções há menos de um mês, afirmou no Parlamento que um ataque chinês contra Taipei poderia desencadear uma resposta militar por parte de Tóquio, reacendendo uma velha crise diplomática entre os dois países.

Durante a sua intervenção parlamentar, Takaichi deixou em aberto a possibilidade de as forças de autodefesa japonesas intervirem em caso de conflito, sublinhando que um ataque a Taiwan poderia ser considerado uma “crise existencial” para o Japão e uma situação que ameaça a sobrevivência do país, justificando a ação militar segundo a lei de segurança nacional de 2015.

Estas declarações foram interpretadas em Pequim como uma provocação direta e motivaram uma resposta firme das autoridades chinesas.

O consulado chinês em Osaka foi palco da reação mais incendiária: Xue Jian, cônsul chinês na cidade, publicou nas redes sociais um comentário a acompanhar um artigo com a declaração de Takaichi, sugerindo que se deveria “cortar o pescoço a essa intrometida”. O comentário foi posteriormente eliminado, mas provocou que o governo japonês exigisse medidas disciplinares por parte de Pequim contra o seu diplomata.

Apesar disso, as declarações hostis continuaram vindas de Pequim. Lin Jian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, afirmou que “se o Japão se atrever a utilizar força militar para intervir no estreito de Taiwan, constituiria um ato de agressão e a China responderia com contundência”.

O porta-voz acrescentou ainda: “Japão deve retificar e retratar-se dessas declarações hostis. Caso contrário, deverá assumir todas as consequências”. Em editorial, o Diário do Povo questionou: “Pretende o Japão repetir os erros da História?”, acusando Takaichi de tentar reviver o militarismo da época da Segunda Guerra Mundial.

A posição da primeira-ministra japonesa sempre causou desconforto em Pequim. Antes de assumir o cargo, Takaichi descreveu a China como uma ameaça estratégica e minimizou episódios históricos sensíveis, como a massacre de Nanjing pelo exército imperial japonês. As suas regulares visitas ao Santuário de Yasukuni, símbolo do militarismo japonês e da memória de criminosos de guerra, continuam a ser motivo de discórdia.

Além disso, Takaichi manteve relações estreitas com Taiwan. Em abril, liderou uma delegação japonesa que se reuniu com o líder taiwanês, Lai Ching-te, para discutir maior cooperação em defesa, apesar de o Japão não reconhecer oficialmente a soberania da ilha.

Esta nova crise surge apenas duas semanas após o primeiro encontro presencial entre Takaichi e Xi Jinping durante o Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico (APEC), na Coreia do Sul, onde a primeira-ministra nipónica adotou uma postura mais conciliatória, manifestando interesse em aprofundar a relação pessoal com o líder chinês.

A escalada atual, no entanto, indica que a conciliação dificilmente se repetirá a curto prazo, com Pequim adotando uma retórica cada vez mais agressiva e Tóquio a defender a soberania e a segurança regional.

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