As reclamações dos consumidores bancários moçambicanos recuaram para 487 no primeiro semestre, face a 620 um ano antes, mas a sua análise levou à devolução de 989 mil euros cobrados indevidamente por instituições financeiras, segundo o banco central.
De acordo com o relatório semestral do Banco de Moçambique sobre reclamações dos consumidores financeiros, o Banco Comercial de Investimentos (BCI), participado pela Caixa Geral de Depósitos, liderou o número de reclamações, com 156 queixas, correspondentes a 32% do total, num universo de 2,36 milhões de clientes.
Segue-se o Millennium BIM, liderado pelo português BCP, com 81 reclamações, equivalentes a 16,6% do total, contando com cerca de 2,53 milhões de clientes.
Ambos são, contudo, os maiores bancos do país, com índice de reclamações, respetivamente, de 6,2 e 3,4.
Entre as instituições com maior base de clientes surgem ainda as carteiras móveis Vodafone M-Pesa, com 26 reclamações em mais de 14 milhões de utilizadores, e M-Mola, com 18 reclamações em quase 11,9 milhões de clientes.
No total, o Banco de Moçambique recebeu 487 reclamações no primeiro semestre deste ano. No primeiro semestre de 2025 essas queixas já tinham recuado para 620, face às 979 no mesmo período de 2024.
O Banco de Moçambique refere ainda que, na sequência da análise das reclamações, emitiu determinações específicas às instituições financeiras para corrigirem irregularidades identificadas, incluindo a devolução aos clientes de montantes resultantes de cobranças indevidas de comissões e encargos, no valor de 73,2 milhões de meticais (989 mil euros).
As matérias mais reclamadas pelos consumidores entre janeiro e junho envolveram operações de crédito, responsáveis por 208 queixas (43% do total), seguindo-se contas bancárias, com 115 reclamações (24%), máquinas ATM, com 63 (13%), moeda eletrónica, com 44 (9%), e a Central de Registo de Crédito (CRC), com 22 reclamações (5%).
Segundo o relatório, as principais irregularidades reclamadas nos processos de crédito envolveram divergências na execução dos contratos (38%), alterações indevidas da maturidade dos empréstimos (32%) e imputações indevidas de crédito (15%).
Nas reclamações relativas a contas bancárias, os consumidores apontaram sobretudo débitos indevidos, enquanto nas máquinas ATM predominaram situações de numerário não disponibilizado apesar do débito nas contas dos clientes.
Globalmente, os consumidores bancários moçambicanos apresentaram 1.103 reclamações em todo o ano de 2025, conforme noticiado anteriormente pela Lusa.
A Lusa noticiou anteriormente que o Banco de Moçambique deu razão a 85% das reclamações apresentadas pelos clientes dos serviços financeiros em todo o ano de 2024, levando à devolução de 18 milhões de meticais (243 mil euros).
Funcionam em Moçambique um total de 15 bancos, 14 microbancos, quatro cooperativas de crédito, 13 organizações de poupança e empréstimo e 2.304 operadores de microcrédito, entre outras tipologias, segundo dados anteriores do banco central.














