Queixa contra Ventura e Chega por declarações polémicas: Petição pública online reúne mais de 40 mil subscritores em apenas algumas horas

Após a divulgação, nesta sexta-feira, de um projeto de queixa-crime elaborado por um grupo de cidadãos contra o líder do Chega, André Ventura, o líder parlamentar do partido, Pedro Pinto, e o assessor Ricardo Reis, que surge na sequência de declarações dos três membros do partido sobre a morte de Odair Moniz, cidadão baleado pela PSP, pode agora ser subscrita online uma petição pública que já conta com mais de 40 mil subscritores.

Pedro Gonçalves
Outubro 25, 2024
18:11

Após a divulgação, nesta sexta-feira, de um projeto de queixa-crime elaborado por um grupo de cidadãos contra o líder do Chega, André Ventura, o líder parlamentar do partido, Pedro Pinto, e o assessor Ricardo Reis, que surge na sequência de declarações dos três membros do partido sobre a morte de Odair Moniz, cidadão baleado pela PSP, foi lançada uma petição pública online para apoiar a queixa, que em apenas algumas horas foi subscrita por mais de 40 mil pessoas.

Ao lado do advogado André Van Dunem, inicialmente envolvido no projeto da queixa, juntaram-se várias figuras públicas, incluindo a jurista Teresa Beleza, ex-coordenadora do Observatório do Racismo e Xenofobia. Em declarações ao Diário de Notícias (DN), Beleza expressou profunda indignação pelas declarações proferidas pelo partido Chega sobre a morte de Moniz. “As afirmações de André Ventura e Pedro Pinto são de uma gravidade inaceitável. A liberdade de expressão tem limites, e entre esses limites está a inadmissibilidade de discursos de incitamento ao ódio”, defendeu, sublinhando ainda que tais discursos “com contornos de racismo e xenofobia” põem em risco a proteção da dignidade e dos direitos dos cidadãos num sistema democrático.

Outras figuras públicas, incluindo o ex-ministro da Educação João Costa e as ex-secretárias de Estado da Igualdade Catarina Marcelino e Rosa Monteiro, também subscreveram a queixa, considerando que as declarações dos membros do Chega ultrapassam os limites legais da liberdade de expressão, configurando crimes de incitamento à prática de crimes, desobediência coletiva e ofensa à memória de pessoa falecida.

Para João Costa, as palavras dos membros do Chega colocam em causa os alicerces do Estado de Direito, sendo urgente que a sociedade se mobilize para que não se legitime tal discurso. Segundo o ex-ministro, “chega a um ponto em que a inação se torna cúmplice”, referindo-se à ausência de resposta imediata das autoridades para coibir o discurso de ódio.

Além de políticos e juristas, a lista de subscritores inclui figuras do meio cultural e mediático, como os jornalistas Miguel Sousa Tavares, Mafalda Anjos e Rodrigo Pratas, os advogados Ricardo Sá Fernandes e Garcia Pereira, o humorista Nuno Markl, e artistas como a atriz Cláudia Semedo e a rapper Eva Rap Diva. O grupo defende que é essencial proteger a dignidade de todas as pessoas, especialmente quando estas já não estão presentes para se defenderem, como é o caso de Odair Moniz.

Declarações polémicas de Ventura e Pinto sob investigação

As declarações que motivaram a queixa pública incluem afirmações polémicas de Pedro Pinto e André Ventura. Na quarta-feira, durante um debate televisivo, Pedro Pinto afirmou que, caso as forças policiais “disparassem mais a matar, o país estaria mais na ordem”. Na mesma linha, Ventura defendeu publicamente que o agente da PSP envolvido no incidente que vitimou Moniz deveria ser “condecorado e não constituído arguido”. Estas palavras foram reforçadas por Ventura através de diversas publicações nas redes sociais, onde descreveu Moniz como “bandido” e sugeriu que o policial envolvido atuou corretamente ao disparar.

A queixa considera que tais declarações incitam ao ódio e reforçam preconceitos perigosos contra certas comunidades, tendo como objetivo, nas palavras dos queixosos, “incendiar os ânimos sociais” e provocar “violência e ressentimento”.

No texto da queixa, para além dos crimes de “instigação à prática de crime” e “apologia da prática de crime”, mencionados na notícia inicial do DN, surge também a acusação de “ofensa à memória de pessoa falecida”, crime previsto no artigo 185.º do Código Penal português. Os subscritores da petição argumentam que descrever Moniz como um “bandido” ou “criminoso”, sem que a investigação tenha ainda sido concluída, configura uma grave ofensa à memória do falecido e uma violação do direito à dignidade.

A investigação aos acontecimentos que levaram à morte de Odair Moniz, pela Polícia Judiciária, permanece em curso, e qualquer conclusão sobre o caso é, neste momento, prematura. Segundo o grupo de cidadãos que organizou a queixa, a caracterização de Moniz por parte de Ventura e Pinto como um “bandido” é irresponsável e instiga à violência, numa tentativa de captar apoio popular através da desinformação e do reforço de preconceitos.

[Número de subscritores atualizado às 22h058]

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