O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, deixou um aviso contundente aos parceiros europeus ao afirmar que a independência polaca poderá ficar em risco caso a Ucrânia seja forçada a render-se na guerra com a Rússia. A declaração foi feita à margem das conversações em curso entre líderes europeus, num momento que Tusk descreveu como particularmente sensível e decisivo, segundo relata o jornal britânico ‘The Guardian’.
Numa curta declaração aos jornalistas polacos, Tusk explicou que os líderes estão envolvidos “num processo muito difícil” para alcançar um acordo, sublinhando que alguns países se sentem especialmente expostos a eventuais represálias ou medidas financeiras por parte de Moscovo. Entre os Estados mais cautelosos, referiu a Bélgica, que tem pedido garantias e salvaguardas claras no âmbito das propostas em discussão.
Ainda assim, o chefe do Governo polaco reconheceu sinais de progresso, afirmando existir um “avanço” no sentido de um entendimento geral sobre a necessidade de avançar com decisões concretas, estando agora os líderes concentrados em encontrar soluções que sejam aceitáveis para todos os Estados-membros.
Foi, porém, ao abordar as consequências de uma eventual derrota ucraniana que Tusk adotou um tom mais grave. De acordo com o ‘The Guardian’, o primeiro-ministro avisou que “a independência da Polónia estaria ameaçada se, como consequência de más decisões ou da falta de ação da Europa, a guerra obrigar a Ucrânia a render-se”.
Tusk insistiu que esta realidade deve ser plenamente compreendida, tanto pelos líderes europeus como pela opinião pública polaca. O apoio à Ucrânia, incluindo a utilização de fundos russos congelados, não é apenas uma questão de solidariedade, mas de segurança estratégica. Na sua leitura, a independência da Ucrânia funciona como um escudo que afasta o risco de agressão das fronteiras polacas, enquanto o colapso de Kiev representaria uma ameaça direta à Polónia.
“Quero que isso fique bem claro para todos – não apenas para os nossos colegas aqui na Europa, mas também para todos na Polónia – que quando falamos da necessidade de apoiar a Ucrânia com esses fundos russos, é porque sabemos muito bem que a independência da Ucrânia afasta o risco de agressão ou guerra das fronteiras polacas. Por outro lado, a queda da Ucrânia como resultado desta guerra significaria uma ameaça direta à Polónia”, concluiu.














