Quatro presidentes mortos e vários atentados: a violência política na história dos EUA

O recente incidente armado num hotel em Washington trouxe novamente à tona um problema antigo: a violência política nos Estados Unidos. Ao longo da história, o país já viu quatro presidentes serem assassinados e vários líderes políticos tornarem-se alvo de ataques.

Patrícia Moura Pinto

A história dos Estados Unidos é marcada por episódios recorrentes de violência política ao mais alto nível, incluindo assassinatos, tentativas de magnicídio e ataques a figuras públicas. Ao longo dos séculos, quatro presidentes foram assassinados e vários outros escaparam por pouco ou ficaram feridos em atentados.

Um dos episódios mais recentes ocorreu no mesmo local de um ataque histórico: o Hotel Hilton, em Washington. Em 1981, o então presidente Ronald Reagan foi baleado por John Hinckley Jr., um homem perturbado que procurava chamar a atenção da atriz Jodie Foster. O atentado deixou também gravemente ferido o porta-voz James Brady.

Mais de quatro décadas depois, o mesmo hotel voltou a ser palco de um incidente grave. Um homem armado tentou invadir um evento onde se encontrava Donald Trump, acompanhado pela primeira-dama, pelo vice-presidente JD Vance e outros membros do Governo. Segundo o El Mundo, o atacante foi neutralizado antes de conseguir concretizar um massacre, tendo apenas ferido um agente do Serviço Secreto.

A violência política nos Estados Unidos remonta ao século XIX. O primeiro presidente a escapar a uma tentativa de assassinato foi Andrew Jackson, na década de 1830. No entanto, quatro líderes acabariam por morrer em funções.

Abraham Lincoln foi assassinado em 1865 por John Wilkes Booth. Poucos anos depois, em 1881, James A. Garfield foi morto por Charles J. Guiteau. Em 1901, William McKinley caiu às mãos do anarquista Leon Czolgosz. Já em 1963, John F. Kennedy foi assassinado por Lee Harvey Oswald, num caso que continua envolto em polémica e teorias.

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Além dos presidentes, várias outras figuras políticas de relevo foram vítimas de violência. Robert F. Kennedy foi assassinado em 1968 durante a campanha presidencial. No mesmo ano morreu também o ativista Martin Luther King Jr..

Outros líderes escaparam com vida, mas ficaram feridos. Entre eles estão Theodore Roosevelt, baleado em 1912, e novamente Ronald Reagan. Mais recentemente, Donald Trump também foi alvo de um ataque durante um comício em 2024, sofrendo ferimentos ligeiros.

Crescente tensão e novos episódios de violência

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Segundo o El Mundo, a violência política nos Estados Unidos diminuiu após os anos 80, mas voltou a aumentar significativamente nos últimos anos. Casos recentes incluem assassinatos, tentativas de ataque a governadores e congressistas, e conspirações para raptar ou matar figuras públicas.

Entre os episódios destacados estão o assassinato do influenciador conservador Charlie Kirk, ataques a políticos no estado do Minnesota e uma tentativa de incêndio na residência do governador da Pensilvânia, Josh Shapiro. Também se registaram crimes com motivações políticas e ideológicas, incluindo ataques antissemitas e atentados em manifestações.

Especialistas apontam para uma escalada preocupante. O politólogo Robert Pape, da Universidade de Chicago, descreve o momento atual como uma “era de populismo violento”. A combinação entre polarização política, enfraquecimento das instituições democráticas e radicalização de diferentes grupos tem contribuído para um ambiente cada vez mais instável.

De acordo com o El Mundo, esta tendência não mostra sinais de abrandamento, levando analistas a alertar para o risco de novos episódios de violência política nos Estados Unidos.

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