Quase metade das PME portuguesas sofreu ciberataques ligados à IA no último ano

Quase metade das pequenas e médias empresas (PME) em Portugal foi alvo de pelo menos um ciberataque associado à utilização de ferramentas de inteligência artificial (IA) nos últimos 12 meses.

André Manuel Mendes
Dezembro 15, 2025
11:31

Quase metade das pequenas e médias empresas (PME) em Portugal foi alvo de pelo menos um ciberataque associado à utilização de ferramentas de inteligência artificial (IA) nos últimos 12 meses. A conclusão é do Relatório de Ciberpreparação da Hiscox 2025, que revela que 48% das organizações identificaram incidentes relacionados com vulnerabilidades decorrentes do uso desta tecnologia, num contexto de rápida adoção da IA no tecido empresarial.

De acordo com o estudo, 54% das PME portuguesas sofreram pelo menos um ciberataque no último ano, sendo que mais de metade registou entre um e dez incidentes. No que diz respeito especificamente a ataques associados à IA, os dados mostram que os cibercriminosos estão a explorar ativamente novas fragilidades criadas pela integração acelerada destas ferramentas nos processos empresariais.

Entre as principais portas de entrada para ataques destacam-se os dispositivos IoT corporativos, que afetaram 33% das empresas, seguidos dos servidores internos (30%), dispositivos móveis de colaboradores (29%) e ataques de phishing ou engenharia social direcionados aos trabalhadores (28%). As ferramentas e softwares de IA surgem como vetor relevante em 24% dos casos, confirmando que a tecnologia que impulsiona a inovação também se tornou um alvo prioritário para os atacantes.

Apesar do aumento das ameaças, a perceção das empresas em relação à IA mantém-se maioritariamente positiva. Para 86% das organizações, esta tecnologia continua a ser vista como um ativo estratégico para a inovação e competitividade. Ainda assim, cresce a consciência dos riscos, com as PME a identificarem vulnerabilidades em software e sistemas, infraestruturas de rede, comportamento dos colaboradores e dependência de terceiros.

Perante um cenário de ameaças cada vez mais sofisticadas, as empresas antecipam riscos como ataques de engenharia social potenciados por IA, manipulação de dados ou modelos adulterados e vulnerabilidades em ferramentas de terceiros. Como resposta, as PME estão a reforçar o investimento em formação dos colaboradores, governação da IA e ciberseguros. “A IA tornou-se uma ferramenta com grande potencial para as PME, mas também uma nova ameaça para a cibersegurança”, sublinha Ana Silva, Cyber Lead da Hiscox Portugal e Espanha, acrescentando que a seguradora mantém o compromisso de apoiar as empresas na proteção face a estes riscos emergentes.

 

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