Quase 4 mil milhões de passwords na dark web: IA e malware são responsáveis pelo roubo no Gmail e Outlook, denuncia relatório

Preocupações com a segurança atingiram níveis alarmantes, bem evidenciado num relatório recente da KELA, agência de Inteligência de ameaças focada na dark web: com mais de 4,3 milhões de dispositivos infetados ao longo de 2024, a perspetiva é assustadora e é necessária uma ação urgente

Francisco Laranjeira

Num ambiente digital cada vez mais vulnerável, proliferam alertas sobre malware que rouba informações, afetando tanto utilizadores do macOS como os que usam plataformas de e-mail como Gmail e Outlook.

As preocupações com a segurança atingiram níveis alarmantes, bem evidenciado num relatório recente da KELA, agência de Inteligência de ameaças focada na dark web: com mais de 4,3 milhões de dispositivos infetados ao longo de 2024, a perspetiva é assustadora e é necessária uma ação urgente.

O relatório da KELA, publicado pela revista ‘Forbes’, destacou que os cibercriminosos são responsáveis pelo roubo de 3,9 mil milhões de passwords: três das principais variantes de malware – Lumma, StealC e Redline – fora responsáveis por 75% das infeções. Segundo David Carmiel, CEO da KELA, a existência de economias subterrâneas facilita o malware, criando um ambiente propício a diversas atividades criminosas.

A atividade maliciosa associada ao malware não se limita ao roubo de passwords: também inclui ataques de ransonware e campanhas de espionagem. A eficiência e a escalabilidade dos hackers permitem a infeção de grandes volumes de contas, tanto pessoais como corporativos. Essa dinâmica tornou-se um ciclo vicioso, em que as credenciais roubadas são vendidas em mercados clandestinos para facilitar ataques futuros, agravando assim o problema.

De acordo com o relatório, quase 40% dos dispositivos infetados continham credenciais para sistemas corporativos confidenciais, incluindo plataformas de email e gestão de conteúdo – 65% dos computadores comprometidos eram pessoais, indicando que muitos utilizadores não tomam as precauções necessárias para proteger os seus dados.

Continue a ler após a publicidade

Para combater essa ameaça crescente, a KELA recomendou implementar a autenticação multifator em todas as contas e isolar sistemas críticos para limitar o movimento lateral dos invasores. Além disso, o uso de soluções avançadas de filtragem de e-mail é recomendado para evitar tentativas de phishing. A urgência dessas medidas não pode ser subestimada, pois os analistas preveem um aumento no roubo de dados em 2025.

A Inteligência Artificial (IA) também surgiu como um fator disruptivo na segurança de senhas. Ignas Valancius, chefe de engenharia da NordPass, explicou à ‘Forbes’ que a IA pode quebrar as passwords mais complexas em tempo recorde – conforme as ferramentas de IA se tornam mais sofisticadas, o risco de ataques aumenta, pelo que a segurança das passwords será comprometida se não forem tomadas medidas adequadas.

Segundo Valancius, as boas práticas apontam para a criação de senhas longas e aleatórias, evitar o uso de informações pessoais e não reutilizar passwords em contas diferentes. Recomendou ainda a criação de palavras passe como uma alternativa mais fácil de lembrar, além de considerar o uso de chaves de acesso, que combinam verificação biométrica com chaves criptográficas para maior segurança.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.