Quase 3300 professores do ensino básico e secundário e educadores de infância reformaram-se ao longo do ano letivo que agora termina, num dos valores mais elevados da última década. Ao mesmo tempo, mais de 2000 docentes decidiram prolongar a carreira, beneficiando de um suplemento mensal de 750 euros.
De acordo com o Público, o número de aposentações ficou abaixo do registado em 2024/25, quando cerca de 3700 docentes deixaram as escolas, mas a redução não altera a tendência de envelhecimento da profissão.
Em setembro do ano passado, mês de arranque das aulas, reformaram-se 384 professores. Em outubro, novembro e dezembro, o número de saídas rondou as 400 por mês, diminuindo nos meses seguintes. Junho foi o mês com menos aposentações, com 112 docentes a deixarem as escolas.
Os últimos dois anos continuam, ainda assim, entre aqueles em que mais professores se reformaram na última década.
No próximo mês de setembro, que já não entra nestas contas, deverão aposentar-se mais 557 docentes, segundo a lista publicada pela Caixa Geral de Aposentações em Diário da República.
O número apurado considera apenas professores e educadores vinculados ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, excluindo docentes do ensino superior, de instituições privadas e das regiões autónomas.
Escolas vão precisar de dezenas de milhares de professores
Segundo o Público, as projeções apontam para cerca de quatro mil aposentações de docentes por ano nos próximos anos.
O Estudo de Diagnóstico de Necessidades Docentes de 2025 a 2034 estima que serão necessários mais de 20 mil professores até 2029/2030 e cerca de 38 mil até 2034/2035.
Para responder a estas necessidades, será necessário recrutar aproximadamente 3800 novos docentes por ano.
As maiores carências deverão sentir-se no 3.º ciclo e no ensino secundário, onde serão necessários quase 21 mil novos professores. Entre as disciplinas com maior procura prevista estão Português, com 3639 docentes, Matemática, com 2322, e Física e Química, com 1866.
Estas necessidades surgem apesar de as estimativas apontarem para uma redução de 5% no número de alunos.
As projeções têm também em conta outros fatores, como a redução da componente letiva dos professores mais velhos e a organização do trabalho nas escolas.
Dos cerca de 122 mil professores que estavam nas escolas em 2024/25, apenas 76 mil deverão continuar no ativo em 2034/35.
Mais de 2000 docentes receberam 750 euros para adiar reforma
Perante o ritmo das aposentações e a falta de novos professores, o Governo criou, em 2024, um incentivo para manter nas escolas docentes que já reuniam condições para se reformar.
A medida prevê um suplemento remuneratório de 750 euros brutos por mês para os professores que optem por continuar a trabalhar.
No ano letivo que agora termina, mais de 2000 docentes beneficiaram deste incentivo, representando um investimento de cerca de dez milhões de euros, segundo dados do Governo citados pelo Público.
Num balanço realizado em janeiro, o Ministério da Educação indicava que 1514 professores tinham decidido permanecer nas escolas durante este ano letivo. Em 2024/25 tinham sido cerca de 1500, acima da meta inicial de mil docentes.
Incentivo passa a ficar limitado a zonas carenciadas
A partir do ano letivo de 2026/2027, o suplemento de 750 euros deixa de estar disponível para todos os professores que adiem a aposentação.
O Governo decidiu limitar o incentivo aos docentes colocados em escolas de Quadros de Zona Pedagógica considerados carenciados, onde existem maiores dificuldades em atrair e fixar professores.
No último ano letivo estavam identificados dez QZP com insuficiência estrutural de docentes, concentrados sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa, mas também no Alentejo e no Algarve.
Nos restantes QZP, os professores poderão continuar a trabalhar depois de reunirem as condições para a aposentação, mas deixarão de beneficiar deste suplemento.
A medida será igualmente aplicada apenas quando não existirem candidatos disponíveis para assegurar a componente letiva através dos mecanismos normais de contratação.














