Quase 1000 empresas falham compromisso climático e ainda utilizam carvão térmico

Cerca de mil empresas, mais precisamente 935, deveriam ser colocadas na ‘lista negra’ de investidores, porque continuam ligadas ao carvão térmico quase quatro anos após a entrada em vigor do acordo climático de Paris, segundo apurou o mais recente relatório desenvolvido pela organização ambientalista Urgewald.

Desta empresas, quase 440 planeiam construir centrais de carvão, minas ou outras infraestruturas nos próximos anos, de acordo com a lista apurada pelo relatório, chamada Global Exit List 2020. E apenas 25 empresas da lista fixaram uma data para a eliminação progressiva da sua utilização do carvão.

Assim, estas empresas envolvidas na indústria do carvão térmico poderão desafiar o cumprimento dos compromissos climáticos globais previstos no acordo de Paris.

De acordo com o diretor da Urgewald, Heffa Schücking, as conclusões do relatório deveriam proporcionar um alerta aos investidores que planeiam continuar a apoiar as empresas ligadas à indústria do carvão, enquanto os governos assinalam uma mudança para fontes de energia mais limpas.

“Quando falamos com a indústria financeira, muitos acreditam que é importante mantermo-nos com estas empresas durante a transição energética. Mas metade destas empresas não estão interessadas na transição”, disse Schücking citado pelo jornal britânico The Guardian.

“Estamos numa emergência climática e uma eliminação rápida do carvão é mais urgente do que nunca”. A nossa base de dados identifica 935 empresas que a indústria financeira precisa de colocar na lista negra, se são sérias no cumprimento dos objetivos do acordo de Paris”, acrescentou.

A lista global de saída do carvão inclui todas as empresas energéticas que possuem mais de 5GW de capacidade de centrais elétricas alimentadas a carvão, produzem 10 milhões de toneladas de carvão térmico por ano, ou dependem do carvão para um quinto da sua geração de energia ou receitas.

A lista inclui também um número crescente de empresas fora da indústria energética que planeiam investir na energia do carvão ao lado de agentes energéticos estabelecidos, ou para satisfazer as suas necessidades energéticas futuras.

“Esperar pela transição das empresas carboníferas é uma receita para uma mudança climática desenfreada”, disse ainda Schücking. “A menos que as instituições financeiras acelerem a sua saída da indústria, falharemos o mais básico de todos os testes climáticos: deixar o carvão para trás”.

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