Quanto tem de ganhar para viver sozinho? Lisboa exige mais de 42 mil euros por ano

Uma pessoa que pretenda viver sozinha em Portugal necessita atualmente de um rendimento mais elevado para arrendar um apartamento T0 do que para o comprar, segundo uma análise divulgada esta quarta-feira pelo idealista com base nos dados do primeiro trimestre de 2026.

Pedro Zagacho Gonçalves

Uma pessoa que pretenda viver sozinha em Portugal necessita atualmente de um rendimento mais elevado para arrendar um apartamento T0 do que para o comprar, segundo uma análise divulgada esta quarta-feira pelo idealista com base nos dados do primeiro trimestre de 2026. O estudo conclui que o acesso à habitação continua a representar um desafio significativo para quem procura uma solução individual, mesmo no segmento habitacional mais pequeno disponível no mercado.

De acordo com a plataforma idealista, a compra de um T0 exige um rendimento líquido anual médio de 33.680 euros. Com esse valor, uma pessoa consegue suportar uma prestação mensal de cerca de 842 euros, suficiente para financiar a aquisição de um apartamento desta tipologia, cujo preço médio ronda os 225.000 euros. No entanto, além da capacidade financeira para suportar a prestação mensal, o comprador necessita também de dispor antecipadamente de aproximadamente 45.000 euros para a entrada inicial e restantes custos associados à compra.

Já no mercado de arrendamento, a situação revela-se ainda mais exigente. Para arrendar sozinho um T0 sem ultrapassar a taxa de esforço de 30% habitualmente recomendada pelos especialistas, é necessário auferir cerca de 34.800 euros líquidos por ano, valor que permite suportar uma renda mensal de aproximadamente 870 euros. Em termos práticos, isso significa que quem opta pelo arrendamento precisa de ganhar, em média, mais 1.120 euros líquidos por ano do que quem escolhe comprar a mesma tipologia de habitação.

Madeira e Lisboa lideram na compra
As diferenças entre regiões são significativas. No segmento da compra, a ilha da Madeira surge como o território mais exigente, obrigando a um rendimento líquido anual de 49.400 euros para adquirir um T0. Logo a seguir aparece Lisboa, onde são necessários 47.520 euros anuais. Seguem-se Setúbal, com 34.440 euros, Porto, com 32.920 euros, Aveiro, com 31.440 euros, Viana do Castelo, com 30.840 euros, Faro, com 30.680 euros, e Coimbra, com 30.240 euros.

Também Braga (27.400 euros), Leiria (26.720 euros), Bragança (25.440 euros), Santarém (20.960 euros), Viseu (18.720 euros), Beja (16.480 euros), Vila Real (15.720 euros) e Guarda (14.480 euros) apresentam exigências relevantes para quem pretende adquirir um T0.

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No extremo oposto surge Évora, onde bastam 11.440 euros líquidos anuais para comprar um apartamento desta tipologia, tornando-se o distrito mais acessível do país para quem pretende viver sozinho. Seguem-se Guarda e Vila Real.

Lisboa é o mercado mais exigente para arrendar
No mercado de arrendamento, Lisboa ocupa o primeiro lugar entre os territórios mais caros, exigindo um rendimento líquido anual de 40.000 euros para arrendar um T0 sozinho. A ilha da Madeira surge na segunda posição, com 36.800 euros, seguida pelo Porto, com 34.960 euros, Faro e Setúbal, ambos com 34.000 euros.

Entre os mercados onde também são necessários rendimentos superiores a 25.000 euros anuais encontram-se Évora (29.600 euros), Aveiro (29.200 euros), Braga (28.800 euros), Coimbra (25.200 euros) e Santarém (24.000 euros).

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Já os mercados mais acessíveis para arrendar localizam-se no interior do país. A Guarda lidera com apenas 14.000 euros líquidos anuais necessários, seguida por Vila Real, com 16.000 euros, e Viseu, com 18.280 euros.

Funchal supera Lisboa na compra de T0
Ao nível das cidades, o Funchal assume a liderança como o mercado mais exigente para quem pretende comprar sozinho um T0. A capital madeirense requer um rendimento líquido anual de 53.880 euros, ultrapassando Lisboa, onde são necessários 49.400 euros.

O Porto surge depois com 34.800 euros, seguido por Aveiro (34.440 euros), Faro (32.920 euros), Viana do Castelo (32.000 euros), Setúbal (30.400 euros) e Coimbra (29.800 euros). Braga exige 28.440 euros, Leiria 25.920 euros, Bragança 25.440 euros e Viseu 22.440 euros.

Em cidades como Évora, Guarda, Santarém, Vila Real e Ponta Delgada, o reduzido número de apartamentos T0 disponíveis para venda não permitiu ao idealista realizar cálculos considerados estatisticamente fiáveis.

Arrendamento continua sob forte pressão
No caso do arrendamento, Lisboa volta a destacar-se como a cidade mais exigente do país, com uma necessidade de rendimento líquido anual de 42.000 euros. Seguem-se Funchal (36.800 euros), Setúbal (35.400 euros), Porto (35.200 euros), Faro (34.000 euros) e Braga (32.000 euros).

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Na outra extremidade da tabela encontram-se Guarda e Vila Real, onde bastam 14.000 euros líquidos anuais para arrendar um T0, seguidas por Bragança e Viseu, ambas com necessidades de rendimento na ordem dos 20.000 euros anuais.

Ruben Marques, porta-voz do idealista, considera que “quem pretende viver sozinho enfrenta um esforço financeiro muito elevado para aceder à habitação”. O responsável sublinha ainda que “o facto de ser necessário um rendimento superior para arrendar um T0 do que para o comprar evidencia a pressão que continua a existir sobre a oferta de casas mais pequenas em Portugal”.

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