Quanto paga realmente ao Estado quando abastece? ISP, taxa de carbono e IVA explicados

Preço final dos combustíveis em Portugal inclui três componentes fiscais principais: o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos, a taxa de carbono e o IVA de 23%

Automonitor

O preço pago pelos condutores portugueses quando abastecem gasolina ou gasóleo continua a ser fortemente condicionado pela carga fiscal. Segundo uma análise da Caetano, atualizada com valores de maio de 2026, o preço final dos combustíveis em Portugal inclui três componentes fiscais principais: o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos, a taxa de carbono e o IVA de 23%.

No caso da gasolina 95, os impostos representam cerca de 47% do preço de venda ao público. No gasóleo rodoviário, o peso fiscal ronda os 42%. A análise toma como referência o preço médio semanal calculado pela ERSE para a semana de 25 a 31 de maio de 2026, período em que a gasolina 95 se situava em cerca de 2,075 euros por litro e o gasóleo em cerca de 2,068 euros por litro.

O ISP continua a ser a principal componente fiscal. Em maio de 2026, o imposto situava-se em cerca de 0,437 euros por litro na gasolina sem chumbo e em 0,298 euros por litro no gasóleo rodoviário. A estes valores acresce a taxa de carbono, que rondava 0,159 euros por litro na gasolina e 0,173 euros por litro no gasóleo.

IVA incide sobre o preço total, incluindo impostos

Além do ISP e da taxa de carbono, os combustíveis estão sujeitos a IVA de 23%, aplicado sobre o preço final. Isto significa que o IVA incide também sobre as restantes componentes fiscais, criando um efeito de imposto sobre imposto.

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Segundo a análise, o total de impostos por litro atinge aproximadamente 0,984 euros na gasolina 95 e 0,858 euros no gasóleo. Num depósito de 50 litros de gasolina, com o preço de referência de 2,075 euros por litro, o custo total seria de cerca de 103,75 euros, dos quais perto de 49 euros corresponderiam a impostos.

A Caetano sublinha que estes valores são indicativos e podem variar ao longo do ano, uma vez que o ISP é revisto por portaria e a componente de IVA depende do preço de venda ao público em vigor em cada momento.

Gasolina paga mais imposto por litro do que o gasóleo

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A gasolina mantém uma carga fiscal superior à do gasóleo. A diferença resulta sobretudo do ISP, historicamente mais elevado na gasolina, embora a taxa de carbono seja ligeiramente superior no gasóleo por este combustível emitir mais CO₂ por litro.

A análise recorda que a diferença histórica entre os dois combustíveis resulta de uma política de apoio ao transporte de mercadorias, que beneficiou o gasóleo com taxas mais baixas. Ainda assim, esta diferença tem vindo a diminuir ao longo dos anos.

No contexto europeu, a Caetano cita uma análise do Instituto +Liberdade segundo a qual, em paridade de poder de compra, Portugal está entre os países onde o peso dos impostos sobre combustíveis é mais elevado. A gasolina 95 surge com cerca de 0,98 euros por litro em impostos, o terceiro valor mais alto da União Europeia, enquanto o gasóleo aparece com cerca de 0,84 euros, o sexto valor mais elevado.

Quanto se paga em impostos por ano

A análise apresenta também uma simulação para perceber o impacto anual da carga fiscal. Um condutor que percorra 15 mil quilómetros por ano, com consumo médio de seis litros aos 100 quilómetros, utiliza cerca de 900 litros de gasolina por ano. Com os valores de maio de 2026, isso corresponde a aproximadamente 886 euros pagos apenas em impostos.

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A Caetano salienta que os cálculos dependem sempre do consumo real do veículo, do número de quilómetros percorridos e do preço em vigor na altura do abastecimento. Ainda assim, o exemplo mostra como a fiscalidade representa uma parte significativa da despesa anual com combustível.

ISP pode mudar ao longo de 2026

O ISP e a taxa de carbono são atualizados periodicamente, através do Orçamento do Estado ou de portarias específicas. Em 2026, o ISP tem sido revisto com frequência quase semanal, no âmbito do mecanismo temporário criado para amortecer subidas dos preços nos mercados internacionais.

Na prática, o Governo pode ajustar as taxas por portaria quando os preços dos combustíveis sobem de forma significativa, devolvendo aos consumidores parte da receita adicional de IVA gerada pelo aumento do preço. Por isso, o valor exato pago numa semana pode não ser igual ao da semana anterior.

A análise recomenda a consulta de fontes oficiais, nomeadamente Autoridade Tributária e DGEG, para confirmação dos montantes em vigor antes de tomar decisões com base nos valores fiscais aplicáveis aos combustíveis.

Eletrificação como forma de reduzir exposição fiscal

Para reduzir o peso destes impostos, a Caetano aponta três caminhos principais: condução mais eficiente, utilização de descontos em postos parceiros e transição para veículos elétricos ou híbridos.

A eletrificação é apresentada como a solução mais estrutural para diminuir a exposição ao ISP e à taxa de carbono, uma vez que reduz ou elimina o consumo de combustíveis fósseis. Para os condutores que continuam dependentes da gasolina ou do gasóleo, a poupança passa sobretudo por reduzir consumos e acompanhar a evolução dos preços.

A conclusão da análise é clara: sempre que um condutor abastece em Portugal, uma parte muito relevante do valor pago reverte para impostos. Na gasolina, quase metade do preço final corresponde a carga fiscal. No gasóleo, o peso é menor, mas ainda assim superior a 40%.

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