“Quando passa a ser entendido como instrumento de gestão, o ESG transforma-se numa alavanca de competitividade”: Paula Silvestre, AEP

Em entrevista à Executive Digest, Paula Silvestre, Diretora da Área da Competitividade e Formação da AEP, explica o impacto do ESG nas MPME.

André Manuel Mendes

Durante anos, o ESG foi sobretudo uma preocupação das grandes empresas. Mas essa realidade está a mudar e, para as micro, pequenas e médias empresas (MPME), a sustentabilidade começa a deixar de ser uma escolha para se tornar uma condição de competitividade. Clientes, bancos, investidores e grandes empresas estão a exigir cada vez mais informação e práticas nesta área, colocando pressão sobre toda a cadeia de valor.

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Em entrevista à Executive Digest, Paula Silvestre, diretora da Área da Competitividade e Formação da Associação Empresarial de Portugal (AEP), explica como o ESG está a influenciar o acesso das MPME ao financiamento, aos mercados e às cadeias de fornecimento, quais os principais obstáculos à adoção destas práticas e por onde podem começar as empresas com menos recursos. A responsável fala ainda do projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade”, que pretende apoiar 500 empresas da região Norte até 2027, e deixa um alerta: para as empresas, o maior risco pode já não estar na mudança, mas na inação.

 

 

Durante muitos anos, o ESG foi visto como um tema reservado às grandes empresas. O que mudou para que hoje seja também uma prioridade para as micro, pequenas e médias empresas?

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Durante muitos anos, o ESG foi associado sobretudo às grandes empresas porque eram elas que enfrentavam maiores exigências regulatórias, tinham mais recursos para reportar informação não financeira e estavam mais expostas ao escrutínio dos investidores. Hoje, essa realidade mudou profundamente.

O principal fator de mudança é que o ESG – Ambiente, Social e Governação, deixou de ser um tema de conformidade para passar a ser uma questão de competitividade. Mesmo quando uma micro, pequena e média empresa (MPME) não tem obrigação legal de reportar indicadores ESG, é cada vez mais pressionada pelos seus clientes, bancos, investidores e parceiros de negócio a demonstrar práticas sustentáveis e responsáveis. As grandes empresas estão a transferir estas exigências para toda a cadeia de valor, tornando o ESG um requisito de mercado e não apenas uma obrigação regulatória.

Além disso, assistimos a uma evolução importante no financiamento. As instituições financeiras incorporam progressivamente critérios ESG na avaliação do risco e no acesso ao crédito, ou outras fontes de financiamento, enquanto muitos programas de apoio ao investimento valorizam organizações que demonstrem boas práticas ambientais, sociais e de governação. Para uma MPME, o ESG passou a influenciar o acesso a capital, a clientes e a novos mercados.

Numa perspetiva de futuro, a questão já não é saber se as MPME devem integrar critérios ESG, mas sim quando e com que rapidez o irão fazer. A próxima década será marcada pela transparência das cadeias de abastecimento, pela descarbonização, pela economia circular e pela crescente digitalização dos processos de reporte. As empresas que começarem hoje estarão mais preparadas para responder às exigências futuras e transformar a sustentabilidade numa vantagem competitiva

Diria mesmo que, para as micro, pequenas e médias empresas, o ESG está a passar de um fator de diferenciação para um fator de permanência no mercado. Quem conseguir demonstrar eficiência, responsabilidade e capacidade de adaptação terá maior facilidade em atrair clientes, financiamento, talento e oportunidades de crescimento. Quem não acompanhar esta transformação arrisca-se a perder relevância e oportunidades de crescimento num mercado cada vez mais exigente e orientado para a criação de valor sustentável.

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Ainda existe a ideia de que sustentabilidade é sinónimo de mais custos e mais burocracia

Essa perceção persiste, em grande medida, porque durante muitos anos a sustentabilidade foi encarada sobretudo numa lógica de cumprimento regulatório. No entanto, a experiência tem vindo a demonstrar que, quando integrada na estratégia da empresa, a sustentabilidade pode constituir um importante fator de competitividade e criação de valor.

Para além de contribuir para a redução de custos através da otimização de consumos de energia, água e matérias-primas, da diminuição de desperdícios e da melhoria da eficiência operacional, permite às empresas reforçar a sua capacidade de antecipar e gerir riscos climáticos, energéticos, regulamentares, sociais e reputacionais, tornando-as mais resilientes num contexto económico cada vez mais exigente e imprevisível.

Simultaneamente, os critérios ESG assumem uma relevância crescente no acesso a financiamento, investimento, mercados internacionais e cadeias de valor. As empresas que demonstram um compromisso consistente com a sustentabilidade estão, geralmente, melhor posicionadas para responder às exigências de clientes, investidores e parceiros de negócio, reforçando a sua competitividade e capacidade de crescimento.

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A sustentabilidade constitui igualmente um importante motor de inovação, incentivando o desenvolvimento de novos produtos, serviços e modelos de negócio mais eficientes e preparados para responder às transformações do mercado. Contribui ainda para fortalecer a confiança das diferentes partes interessadas, atrair e reter talento e melhorar os processos de governação e de tomada de decisão.

Em síntese, o ESG deixa de ser um conjunto de obrigações quando passa a fazer parte das decisões estratégicas da empresa. Torna-se um instrumento de gestão que permite reduzir custos, controlar riscos, identificar oportunidades e criar valor sustentável a médio e longo prazo.

As empresas que encaram este processo apenas como uma exigência administrativa arriscam não só perder oportunidades de crescimento, financiamento e acesso a novos mercados, como enfrentar custos de adaptação mais elevados no futuro, quando estas exigências se tornarem incontornáveis.

 

 

Até que ponto uma empresa que ignore os critérios ESG arrisca perder competitividade nos próximos anos?

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Esse risco já não é uma possibilidade futura. É uma realidade que já se reflete nos processos de seleção de fornecedores, no acesso a financiamento e nas exigências colocadas por clientes nacionais e internacionais.

À medida que os critérios ESG ganham relevância nas decisões de financiamento, investimento, contratação e aquisição, as empresas que não conseguem demonstrar o seu desempenho nestas matérias enfrentam obstáculos crescentes para competir em igualdade de circunstâncias. A capacidade de responder a questionários de sustentabilidade, evidenciar boas práticas e disponibilizar informação fiável deixou de ser um fator diferenciador para se tornar, em muitos setores, um requisito de acesso ao mercado.

Esta tendência é particularmente visível nas cadeias de abastecimento, onde um número crescente de grandes empresas exige aos seus fornecedores informação relacionada com sustentabilidade, gestão de riscos, direitos laborais, governação e desempenho ambiental. Da mesma forma, o acesso a determinadas fontes de financiamento, concursos e oportunidades de internacionalização depende cada vez mais da capacidade de demonstrar práticas responsáveis e uma gestão estruturada dos impactos e riscos.

Paralelamente, investidores, clientes, colaboradores e consumidores estão mais atentos à forma como as organizações gerem os desafios ambientais, sociais e de governação. Esta evolução reflete uma mudança de paradigma: a sustentabilidade deixou de ser avaliada apenas pela sua dimensão reputacional e passou a ser encarada como um indicador da capacidade da empresa para antecipar riscos, adaptar-se à mudança e criar valor de forma consistente.

Por isso, a questão já não é apenas cumprir requisitos ou responder a expectativas externas. As empresas que ignorarem os critérios ESG arriscam perder acesso a oportunidades de negócio, financiamento e mercados estratégicos. Num contexto em que a transparência, a gestão do risco e a resiliência são cada vez mais valorizadas, a inação pode traduzir-se numa perda gradual de competitividade e relevância no mercado.

Mais do que uma opção, o ESG está a afirmar-se como uma condição para competir, crescer e gerar valor de forma sustentável.

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De que forma os critérios ESG estão já a influenciar o acesso das MPME ao financiamento bancário, ao investimento e aos seguros?

Os critérios ESG estão a assumir um papel cada vez mais relevante na forma como instituições financeiras, investidores e seguradoras avaliam o risco e o potencial de longo prazo das empresas. Esta evolução resulta não apenas das exigências regulatórias a que estes agentes também estão sujeitos, mas sobretudo da crescente compreensão de que os fatores ambientais, sociais e de governação têm impacto direto na resiliência e na sustentabilidade dos negócios.

Neste contexto, uma MPME que demonstre uma estratégia de sustentabilidade consistente, acompanhada por objetivos, indicadores e evidências de implementação, transmite maior capacidade de adaptação a mudanças de mercado, melhor gestão dos riscos e uma visão mais estruturada sobre o futuro do negócio. Estes são fatores cada vez mais valorizados nos processos de análise de crédito, de atribuição de financiamento e de avaliação de oportunidades de investimento.

A sustentabilidade está também a ganhar relevância na avaliação do risco por parte das seguradoras. Questões relacionadas com alterações climáticas, continuidade operacional, gestão da cadeia de fornecimento, segurança dos trabalhadores ou governação corporativa são hoje analisadas com maior atenção, influenciando progressivamente as condições de acesso e de cobertura de determinados seguros.

Embora este processo esteja em diferentes fases de maturidade consoante o setor e a instituição, a tendência é clara e deverá acelerar nos próximos anos. As empresas que conseguirem demonstrar transparência, capacidade de gestão e compromisso com práticas sustentáveis estarão mais bem posicionadas para aceder a financiamento, atrair investimento e reforçar a confiança dos diversos stakeholders.

À medida que os critérios ESG se consolidam nos processos de análise de risco, as empresas que não consigam demonstrar o seu desempenho nestas matérias poderão enfrentar condições menos favoráveis de financiamento e maior dificuldade em atrair investimento.

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Mais do que um critério adicional de avaliação, o ESG está a tornar-se um indicador da qualidade da gestão e da capacidade de uma empresa gerar valor de forma sustentável, fatores cada vez mais determinantes nas decisões de financiamento, investimento e transferência de risco.

 

Quais são os principais obstáculos que as MPME enfrentam quando tentam iniciar uma estratégia ESG?

A principal dificuldade que as MPME enfrentam não reside na falta de sensibilização para os temas da sustentabilidade, mas sobretudo na definição de uma abordagem estruturada que permita transformar essa preocupação em iniciativas concretas, mensuráveis e alinhadas com os objetivos estratégicos da organização.

Muitas empresas já desenvolvem práticas que contribuem para a sustentabilidade, seja ao nível da eficiência energética, da valorização dos colaboradores, da relação com a comunidade ou da gestão de recursos. No entanto, essas iniciativas surgem frequentemente de forma isolada, sem uma estratégia integrada, sem metas definidas e sem indicadores que permitam avaliar resultados e acompanhar a evolução ao longo do tempo.

A este desafio acrescem constrangimentos que são comuns à realidade das MPME, nomeadamente a limitada disponibilidade de tempo, a escassez de recursos especializados e a dificuldade em interpretar um enquadramento que nem sempre é percebido como simples ou adaptado à sua dimensão. Para muitos empresários e gestores, a complexidade associada ao tema acaba por gerar incerteza sobre as prioridades a definir e as ações a implementar.

É precisamente por isso que o sucesso da transição para modelos de gestão mais sustentáveis depende da disponibilização de ferramentas práticas, apoio técnico especializado e orientação ajustada à realidade das MPME. Mais do que soluções complexas, as empresas necessitam de instrumentos que lhes permitam identificar prioridades, medir o seu desempenho e avançar de forma gradual, consistente e alinhada com a sua capacidade operacional.

Em última análise, o maior obstáculo não é a sustentabilidade em si, mas a necessidade de a traduzir numa linguagem de gestão que permita às empresas compreender os seus benefícios, definir prioridades e integrar estes princípios na estratégia de crescimento e criação de valor.

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Muitas empresas continuam sem saber por onde começar. Quais são os primeiros passos que qualquer MPME pode dar para integrar critérios ESG sem investimentos elevados?

O primeiro passo deve ser compreender o ponto de partida da empresa. Antes de definir metas, investimentos ou planos de ação, é fundamental identificar quais são os principais impactos, riscos e oportunidades associados à atividade desenvolvida. Só com esse conhecimento é possível estabelecer prioridades e construir uma estratégia de sustentabilidade ajustada à realidade e aos objetivos do negócio.

Um diagnóstico inicial permite precisamente transformar um tema que muitas vezes é percecionado como complexo num conjunto de áreas concretas de intervenção. Esta abordagem ajuda as empresas a focarem-se no que é mais relevante para a sua atividade, evitando esforços dispersos e garantindo uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis.

Importa também desmistificar a ideia de que a integração dos critérios ESG implica, necessariamente, investimentos elevados. Muitas das medidas com maior impacto podem ser implementadas através de melhorias organizacionais e de gestão, como a monitorização de consumos, a redução de desperdícios, a definição de responsabilidades, a criação de procedimentos internos ou o acompanhamento de indicadores que permitam medir o desempenho e suportar a tomada de decisão.

O mais importante é começar de forma estruturada, com objetivos realistas e alinhados com a dimensão da empresa. A integração dos critérios ESG deve ser encarada como um processo de melhoria contínua, construído de forma gradual e consistente, permitindo que cada organização evolua ao seu ritmo, mas com uma direção clara e orientada para a criação de valor.

 

O projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade” pretende apoiar 500 empresas até 2027. Que necessidades identificaram no terreno que justificaram a criação desta iniciativa?

A criação do projeto resultou de uma constatação muito clara no terreno: as empresas reconhecem cada vez mais a importância da sustentabilidade para a sua competitividade e para o seu futuro, mas muitas ainda enfrentam dificuldades em transformar essa consciência numa estratégia estruturada e num plano de ação concreto.

Em contacto direto com o tecido empresarial, identificámos uma procura crescente por orientação prática, ferramentas de apoio e conhecimento especializado que permitam às empresas compreender as suas prioridades, responder às exigências do mercado e integrar os critérios ESG de forma proporcional à sua dimensão e recursos. Em muitos casos, a dificuldade não está na falta de vontade de agir, mas na definição do ponto de partida e na capacidade de operacionalizar este processo.

Foi precisamente para responder a este desafio que surgiu o projeto Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade, promovido pela AEP e cofinanciado pelo Programa Regional NORTE 2030. A iniciativa foi concebida para apoiar as empresas numa abordagem progressiva e orientada para resultados, ajudando-as a compreender o seu nível de maturidade ESG e a identificar oportunidades concretas de melhoria.

Neste âmbito, foi também desenvolvida uma ferramenta digital de diagnóstico de maturidade ESG, disponibilizada gratuitamente através site do projeto, em  https://esg.novorumoanorte.pt/. Esta ferramenta permite às empresas realizar uma avaliação inicial da sua maturidade nas dimensões ambiental, social e de governação, identificar áreas prioritárias de intervenção e obter uma visão mais estruturada do seu posicionamento em matéria de sustentabilidade.

O objetivo é apoiar 500 micro, pequenas e médias empresas da região Norte até 2027, através de uma combinação de diagnóstico, capacitação, partilha de boas práticas e acompanhamento técnico. Mais do que sensibilizar, pretende-se criar condições para que as empresas consigam traduzir os princípios da sustentabilidade em decisões de gestão, ganhos de competitividade e criação de valor a longo prazo. Num contexto em que o acesso a financiamento, mercados e cadeias de valor depende cada vez mais da capacidade de responder a exigências ESG, o projeto procura ajudar as empresas a antecipar estas mudanças e a transformar a sustentabilidade numa vantagem competitiva.

 

 

Que tipo de acompanhamento terão as empresas depois desse diagnóstico? O objetivo é apenas avaliar ou também apoiar a implementação de medidas concretas?

O diagnóstico é apenas o ponto de partida. O principal objetivo não é avaliar a situação das empresas, mas criar as condições necessárias para que consigam transformar esse conhecimento em ações concretas e em resultados tangíveis.

Após a avaliação, cada empresa recebe um relatório personalizado que identifica o seu nível de maturidade ESG, evidencia as principais áreas de melhoria e apresenta recomendações práticas ajustadas à sua realidade, dimensão e setor de atividade. Este processo permite definir prioridades e estabelecer um plano de evolução alinhado com os desafios e objetivos específicos de cada organização.

No entanto, o apoio não se esgota nesta fase. Ao longo do projeto serão disponibilizadas diversas iniciativas de capacitação e acompanhamento, incluindo webinars, workshops, roadshows, guias práticos, estudos de benchmarking e casos de boas práticas empresariais. Serão igualmente promovidas ações direcionadas para áreas particularmente relevantes, como a eficiência energética, a economia circular, o financiamento sustentável, a governação e a gestão da cadeia de fornecimento.

O que se pretende é que as empresas adquiram não apenas conhecimento, mas também ferramentas concretas para apoiar a tomada de decisão e a implementação de medidas ajustadas à sua realidade. A sustentabilidade é um processo de melhoria contínua e, por isso, é fundamental que as organizações disponham de orientação prática que lhes permita avançar de forma sustentada e consistente.

Mais do que produzir um diagnóstico, o projeto procura apoiar as MPME na construção de um percurso de transformação, ajudando-as a integrar os critérios ESG na gestão do negócio e a convertê-los em fatores de competitividade, resiliência e criação de valor a longo prazo

O maior desafio é fazer a transição de uma lógica de cumprimento para uma lógica de criação de valor. Enquanto o ESG continuar a ser visto apenas como uma obrigação regulamentar, será sempre encarado como um custo. Quando passa a ser entendido como um instrumento de gestão, transforma-se numa alavanca de competitividade. A verdade é que o maior risco já não está na mudança, mas na inação.

As empresas que adiarem esta transformação poderão encontrar maiores dificuldades para aceder a financiamento, integrar cadeias de valor, atrair talento e responder às exigências de mercados cada vez mais competitivos. É precisamente para ajudar as MPME a antecipar estes desafios e a transformar a sustentabilidade numa oportunidade de crescimento que a AEP desenvolveu o projeto Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade.

 

 

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