Qual foi o país europeu mais afetado pelos incêndios em 2024?

O comportamento humano é responsável pela grande maioria dos incêndios florestais na Europa, mas as alterações climáticas são o que os tem tornado mais frequentes e intensos

Francisco Laranjeira
Agosto 16, 2025
11:00

O comportamento humano é responsável pela grande maioria dos incêndios florestais na Europa, mas as alterações climáticas são o que os tem tornado mais frequentes e intensos. 2024 foi o ano mais quente da Europa desde que os registos começaram, em 1940, lembrou o site ‘Euronews’. Segundo a Agência Europeia do Ambiente, as condições mais quentes e secas, combinadas com secas e ondas de calor mais frequentes, estão a deixar as paisagens altamente inflamáveis, especialmente no sul e centro da Europa.

Em 2024, Portugal foi o país da UE com a maior área ardida, com quase 450 km² de terra destruída, sendo que os incêndios começaram na ilha da Madeira e, mais tarde – em meados de setembro – no continente. Nesta lista negra, seguem-se Bulgária e Espanha, com 310,9 e 185,5 km² queimados, respetivamente. Depois surge Itália (156,4), Roménia (150,5) e Grécia (139,7 km²).

No outro lado da tabela, com zero km² ardidos estão Eslováquia, Malta, Luxemburgo, Letónia, Estónia, Rep. Checa, Bélgica, Lituânia e Áustria.

Infelizmente, 2024 está longe de ser caso único das florestas e território nacional: em 2017, Portugal viveu uma época de incêndios particularmente destrutiva, na qual morreram 117 pessoas e houve 902,6 km² queimados.

Entre 2000 e 2024, os incêndios florestais queimaram uma média de 3.770 km² de terrenos da UE todos os anos – ou seja, representa uma média anual de 10% das florestas e 21% das pastagens queimadas na UE.

Em termos de custos, é estimado que os incêndios florestais custem à UE 2,5 mil milhões de euros todos os anos, devido à destruição ou danos graves em edifícios e infraestruturas, como linhas de energia, abastecimento de água ou rotas de transporte. Os danos causados ao turismo também são contabilizados.

Segundo a Agência Europeia do Ambiente, o comportamento e as atividades humanas, como a negligência e os incêndios criminosos, são direta ou indiretamente responsáveis por 95% dos incêndios florestais na Europa. Os incêndios provocados pelo homem começam geralmente perto da fronteira entre áreas construídas e áreas seminaturais ou selvagens, como estradas ou cidades adjacentes a florestas.

No entanto, a ignição humana por si só não está diretamente relacionada com a propagação e intensidade de um incêndio. Apenas 1,2% dos incêndios europeus resultaram em 65% da área total ardida. A probabilidade de um incêndio florestal se tornar incontrolável depende do tipo de vegetação, do combustível no solo, da topografia e das condições meteorológicas (temperatura elevada, humidade relativa baixa e vento rápido). À medida que as temperaturas aumentam devido às alterações climáticas, aumenta também o risco de os incêndios florestais se tornarem mais frequentes, intensos e duradouros na Europa.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.