Qual era a música preferida de Saddam Hussein? Ou da rainha Isabel II? Os ‘guilty pleasures’ de vários personagens da história

Livro intitulado “Estão a tocar a nossa música. A mãe de todas as playlists: música para uma ilha deserta”, de Máximo Pradera, passa em revista as músicas mais influentes em vários famosos

Francisco Laranjeira

“Cada um de nós guarda no seu peito sentimental um punhado de canções que talvez não tenham uma qualidade excessiva, ou que até considerássemos objetivamente banais, mas que nos comovem profundamente pelo simples facto de estarem associadas a experiências muito intensas de nossas vidas.” Foi desta forma que Máximo Pradera, músico, jornalista e escritor, descreveu o que todos conhecem como ‘prazeres culpados’, aquelas músicas que ouvimos bastante alto em privado mas falamos muito baixinho em público.

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Através dessa premissa, Pradera fez uma viagem instrutiva e divertida pelos temas favoritos de 20 figuras históricas e da cultura pop, entre políticos, escritores e estrelas do mundo do entretenimento, num livro intitulado “Estão a tocar a nossa música. A mãe de todas as playlists: música para uma ilha deserta”.

Descobrir os gostos musicais de personagens como a rainha Isabel II, Napoleão, Louis Armstrong, Marlene Dietrich ou Isabel Allende conduziu Pradera a dissecar canções de todos os estilos e períodos da história, porque segundo o próprio, “o valioso” do seu texto são as composições”. “embora, dado que a minha intenção última é propor ao leitor que saboreie todo o bem que a boa música nos oferece, o facto de uma canção ou uma sinfonia esteja emocionalmente ligado a alguém será, sem dúvida, um incentivo para abordar as obras aqui referidas”.

Um dos protagonistas do livro que mais desperta curiosidade e que escondeu os segredos mais profundas é Saddam Hussein. Como relatou Pradera, durante os seis meses em que esteve detido após a sua captura, os soldados que o vigiavam permitiram-lhe ouvir rádio e descobriram que o ditador iraquiano era muito fã de Mary J. Blige. A rainha do soul-hip-hop tem uma música chamada ‘My life’, e toda vez que era tocada numa estação de rádio, Hussein aumentava o volume ao máximo para apreciá-la em todo o seu esplendor. A sua favorita, no entanto, era ‘Strangers in the night’, de Frank Sinatra, que costumava colocar a tocar no seu palácio em Bagdad ao final da tarde enquanto dançava com uma das suas concubinas.

O capítulo dedicado à rainha Isabel II de Inglaterra também é um dos mais engraçados. Neste caso, a sua música favorita é ‘Dancing Queen’, dos ABBA, conforme Sua Majestade já explicou a alguns convidados no Palácio de Buckingham, que ficaram surpreendidos ao ouvir a música no sistema sonoro do palácio. “Tento sempre dançar essa música quando a ouço porque sou a rainha e gosto de dançar”, frisou. Outras músicas fundamentais na playlist real são ‘Cheek to face’, na versão original de Fred Astaire e ‘The white cliffs of Dover’, de Vera Lynn.

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Pradera discutiu ainda na obra os gostos de estrelas da música atual, como Bruce Springsteen. O ‘boss’ tem como música favorita ‘Like a rolling stone’, de Bob Dylan, numa lsita que inclui ‘Hound Dog’ (Elvis Presley, na versão de Big Mama Throrton), ‘I want to hold your hand’ (Beatles), ‘It’s all over now’ (na versão dos Rolling Stones), ‘Madame George’ (Van Morrison), ‘What’s going on’ (Marvin Gaye), ‘Out of sight’ (James Brown) e ‘Baby i need your lovin’ (Four Tops).

Uma das protagonistas é a atriz Lauren Bacall. A música que levaria para uma ilha deserta é a versão de Ella Fitzgerald de ”Isn’t it a pity?’, composta por George e Ira Gershwin. Também na sua lista estariam ‘Coquette’ de Nat King Cole, e várias peças de música clássica, como o Concerto para piano nº 2 de Rachmaninoff, o Study de Moszkowski, o Concerto para violino de Brahms e ‘O soave fanciulla’, de La Bohème de Giacomo Puccini.

Há também inclui personagens fictícias como Harry Potter, ou melhor Daniel Radcliffe, que se tivesse de escolher uma música para ouvir todos os dias pelo resto da vida seria ‘Bring me sunshine’ da dupla de comédia Morecambe & Wise.

O livro contém um ‘QR code’ com acesso a videoclips e uma ‘playlist’ criada para a ocasião, com as músicas favoritas de Audrey Hepburn, Francisco Franco, Stalin, Lenine, Lauren Bacall, Audrey Hepburn, Adolf Hitler, Murray Burnett, Joan Baez, Julie Andrews, Cat Stevens, Deborah Kerr, Victoria de los Ángeles, Patricia Highsmith, Paul McCartney e Sophia Loren.

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