Qual é a melhor vacina contra a covid-19? Qual delas protege mais? A eficácia de 90% é melhor do que a de 70%?

Em menos de um ano, investigadores de todo o mundo conseguiram desenvolver vacinas contra a Covid-19. Cada uma foi criada por tecnologias diferentes, mas também se distinguem pelo preço, eficácia, armazenamento e até pela sua efetividade.

Executive Digest

Em menos de um ano, investigadores de todo o mundo conseguiram desenvolver vacinas contra a Covid-19. Cada uma foi criada por tecnologias diferentes, mas também se distinguem pelo preço, eficácia, armazenamento e até pela sua efetividade.

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A nova vacina da Janssen, a quarta aprovada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), é a que apresentou menos grau de eficácia nos primeiros resultados: 67%, bem abaixo dos 95% da Pfizer e da Moderna e dos 76% da AstraZeneca, de acordo com os estudos mais recentes. Mas isso não significa que seja pior, garantem os especialistas.

O que determina a eficácia?

As percentagens de eficácia dizem respeito aos primeiros resultados dos estudos da fase III que cada farmacêutica submeteu à EMA. Nestes ensaios, os participantes são divididos em dois grupos: a um é administrada a vacina, a outro um placebo. São experiências com dezenas de milhares de pessoas que são seguidas para ver quantas delas ficam infetadas com SARS-CoV-2. Se 10% dos indivíduos infetados estavam no grupo vacinado e 90% no placebo, significa que a vacina é 90% eficaz.

Pode-se comparar a eficácia entre as vacinas?

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Como explicou Federico Martinón, chefe do Serviço de Pediatria do Hospital Clínico Universitario de Santiago, ao jornal espanhol El País, ainda que as percentagens sejam comparáveis, na verdade elas não são tão diferentes como podem parecer à primeira vista. “Se olharmos mais detalhadamente para os intervalos de confiança, vemos que a eficácia é muito semelhante entre as diferentes vacinas”, refere o médico.

Em estatística, explica o especialista, o resultado não é um número exato, mas uma janela de intervalo sobre os números. “Quando dizemos que uma vacina é 76% eficaz, estamos a dizer que os resultados variam à volta de 76% (por exemplo, de 71% a 81%) e esse intervalo pode coincidir parcialmente com o de uma vacina para a qual foi dito que tem uma eficiência de 82%, mas cuja margem de erro faz o resultado passar de 77% a 87%, por exemplo. Ou seja, de acordo com o especialista, se os ensaios clínicos fossem repetidos, as margens estatísticas indicariam que os valores estimados de eficácia entre as vacinas podem coincidir. Além disso, em ensaios clínicos, nenhuma pessoa vacinada morreu de Covid-19.

Mas, então, qual é vacina mais eficaz?

Uma coisa é a percentagem obtida nos ensaios clínicos, outra é a capacidade de controlar a doença em populações reais, fora de experiências controladas. O que significa que será sempre menor. Embora ainda seja cedo para se conhecer, de forma exata, a eficácia de cada vacina num cenário real e em que medida as vacinas previnem infeções assintomáticas, o que os resultados preliminares mostram é que todas as que já estão a ser administradas apresentam percentagens muito elevadas de sucesso contra a doença.

Que vacina protege mais?

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A proteção contra o coronavírus é a grande prioridade em todos os estudos, pois se houver uma grande população vacinada com remédios altamente eficazes, o vírus não terá viabilidade para se continuar a transmitir. A chamada, e tão desejada, imunidade de grupo.

“As percentagens de todas as vacinas aprovadas são suficientes para atingir essa imunidade, se a maioria da população for vacina”, explica Vicente Larraga, investigador do CSIC em Espanha, citado pelo El País.

“Sempre se considerou, de forma geral, que uma vacina com eficácia superior a 60% é boa, e as quatro que temos agora superam esse número”, acrescenta. No entanto, e segundo o especialista, a nível individual, estar infetado de forma assintomática ou muito moderada não é muito relevante, o que importa é a proteção contra a doença e a morte, que, segundo os dados conhecidos, é semelhante entre elas e muito elevada em todas.

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