A Europa deverá chegar a 2030 mais rica, mas sem mudanças profundas no equilíbrio económico entre países. Uma análise da ‘Euronews’, com base nas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostra que o PIB per capita deverá subir em quase todo o continente nos próximos anos. Ainda assim, os países mais fortes continuam no topo e Portugal deverá perder terreno relativo.
No indicador ajustado ao poder de compra (PPP), considerado um dos mais fiáveis para comparar níveis de vida entre países, Portugal surge em 23º lugar em 2025 e deverá cair para 25º em 2030.
Em valores absolutos, Portugal melhora. O PIB per capita ajustado ao poder de compra sobe de 50.269 dólares internacionais (cerca de 46.250 euros) para 61.479 dólares internacionais (cerca de 56.560 euros). Ou seja, o país fica mais rico, mas cresce menos do que vários concorrentes europeus.
Quem ultrapassa Portugal?
A Roménia e a Croácia ganham terreno e sobem no ranking, enquanto a Estónia desce e fica atrás dos portugueses. O resultado final deixa Portugal em 25º lugar entre 41 países analisados.
A comparação com Espanha mantém-se desfavorável. Os espanhóis surgem em 22º lugar em 2030, com um PIB per capita ajustado ao poder de compra de 66.114 dólares internacionais (cerca de 60.800 euros), acima dos 61.479 projetados para Portugal.
Entre as cinco maiores economias europeias, a Alemanha continua a liderar, em 12º lugar no ranking de poder de compra. França aparece em 15º, Reino Unido em 16º, Itália em 18º e Espanha em 22º.
No topo da tabela, a grande novidade é a Irlanda, que deverá ultrapassar o Luxemburgo e tornar-se o país mais rico da Europa em 2030 neste critério. Seguem-se Luxemburgo, Noruega, Suíça e Dinamarca.
Mais adiante, a ‘Euronews’ sublinha que a Grécia protagoniza a maior queda prevista, descendo do 29.º para o 32º lugar. Já Chipre regista a maior subida, saltando de 16º para 13º.
Se o olhar for para os valores nominais em euros, sem ajuste ao custo de vida, Portugal também sobe, passando de 28.554 euros por habitante em 2025 para 37.098 euros em 2030. Ainda assim, mantém-se longe da média dos países mais ricos do Norte europeu.
O Luxemburgo deverá continuar destacado neste indicador, com 152.417 euros por habitante em 2030, seguido da Irlanda com 137.819 euros e da Suíça com 127.846 euros.
O padrão mantém-se claro: Norte e Oeste da Europa concentram os países mais ricos, enquanto Leste europeu continua a recuperar rapidamente. Portugal cresce, mas arrisca continuar preso a uma zona intermédia-baixa do ranking europeu.
O retrato traçado pelo FMI deixa uma conclusão incómoda para Lisboa: até 2030, o país deverá melhorar os números, mas sem convergir de forma decisiva com os parceiros mais desenvolvidos da Europa.









