Quais os desafios das mulheres no mercado de trabalho e no caminho da liderança? MAR Shopping é exemplo e executivas respondem

As mulheres têm ocupado cada vez mais posições de liderança nas empresas portuguesas, mas ainda há muito caminho a percorrer no que respeita à igualdade de oportunidades no mundo empresarial.

André Manuel Mendes

As mulheres têm ocupado cada vez mais posições de liderança nas empresas portuguesas, mas ainda há muito caminho a percorrer no que respeita à igualdade de oportunidades no mundo empresarial.

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Um bom exemplo é o da Ingka Centres Portugal, que, em Portugal, detém os centros comerciais MAR Shopping Algarve e MAR Shopping Matosinhos e, só no nosso país, são 61,5% dos quadros são ocupados por mulheres.

No grupo, os principais lugares de liderança são ocupados por mulheres, ambos os centros são geridos por mulheres e os cargos resultaram de promoções no seio do grupo.

A Executive Digest falou com Sandra Monteiro, Diretora do MAR Shopping Matosinhos, Ana Antunes, Diretora do MAR Shopping Algarve, Ana Machado, communication business partner para os mercados de Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Portugal, Itália e Croácia, Sónia Martins, Diretora financeira da Ingka Centres Portugal e Mónica Costa, Diretora de Leasing da Ingka Centres Portugal. Conheça os testemunhos.

 

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Sandra Monteiro – Diretora do MAR Shopping Matosinhos

“O tema da igualdade de género no acesso a oportunidades de carreira é um tema que é importante debater não só no Dia Internacional da Mulher, mas que deve integrar os valores das empresas.

A verdade é que continua a haver não só desigualdade, mas também, em alguns casos, falta de flexibilidade, que contribui para aumentar o fraco acesso das mulheres a carreiras de topo. Sempre que possível, é essencial ter flexibilidade de horários e ter um regime de trabalho híbrido, podendo assim conciliar o trabalho com a vida familiar e poder acompanhar o crescimento dos filhos. Quem tem filhos pequenos sabe quão importante é as empresas permitirem essa flexibilidade aos seus colaboradores sejam eles homens ou mulheres”.

 

Ana Antunes – Diretora do MAR Shopping Algarve

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“Um dos desafios passa pelas empresas aceitarem que a igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um direito humano básico e que o trabalho e os resultados são os fatores que devem guiar o desenvolvimento profissional. Quando tivermos este movimento na maioria das empresas, conseguimos influenciar a realidade da própria sociedade.

Para promover uma cultura de igualdade de género, as empresas devem, desde logo, garantir igualdade de acesso a oportunidades profissionais tanto a homens como a mulheres e garantir que o salário não é definido pelo género. As empresas devem promover uma cultura de inclusão e respeito mútuo, onde as pessoas se sintam respeitadas, aceites e reconhecidas e que este ambiente promova a aprendizagem e o desenvolvimento”.

 

Ana Machado – Communication business partner para os mercados de Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Portugal, Itália e Croácia

“Eu penso que o maior desafio para as mulheres continua a ser a conciliação e o equilíbrio entre as vidas profissional e familiar. Ao trabalhar numa empresa de origem nórdica, em que é muito claro o respeito por essa conciliação, privilegiando-se a regra dos três oitos – oito horas para trabalhar, oito horas para descansar e oito horas para passar tempo qualitativo com a família – sinto que a motivação é maior.

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Quando todas as empresas portuguesas conseguirem respeitar esta regra, não só haverá maior igualdade de género, como todos serão mais felizes. Além disso, considero essencial que os cargos e os salários sejam estabelecidos consoante o mérito e a competência, independentemente de género, religião, etnia ou orientação sexual. Existe ainda muitas barreiras a serem demolidas, o género é apenas uma delas”

 

Sónia Martins – Diretora financeira da Ingka Centres Portugal

“O maior desafio continua a residir na necessidade de mudança de mentalidades nas nossas empresas. Não nos podemos esquecer que estas são geridas por pessoas, as quais têm de entender que não é por se ser homem ou mulher que se tem mais ou menos capacidade para cargos de topo. As mulheres de hoje conseguem ser profissionais altamente qualificadas e, ao mesmo tempo, terem uma vida familiar rica e equilibrada, até porque são cada vez mais os homens a quererem ter um papel mais igualitário em casa e a dividirem as tarefas domésticas e a educação dos filhos.

Quantas mais empresas promoverem essa igualdade, mais célere será a transformação para uma sociedade mais igualitária em que o género, a etnia ou a orientação sexual não são condições que, à partida, condicionem o acesso a uma vida profissional recompensadora”.

 

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Mónica Costa – Diretora de Leasing da Ingka Centres Portugal

“Apesar de termos dado passos importantes para uma sociedade mais igualitária, em Portugal, ainda temos um percurso a percorrer. É verdade que muito mudou para melhor e, empresas como a Ingka Centres, podem dar um contributo enorme para que outras empresas sigam o exemplo e percebam que, quando todos temos acesso às mesmas oportunidades, temos mais condições para promover locais de trabalho mais equilibrados e felizes, com ganhos de produtividade.

Apesar de ainda hoje serem as mulheres as que mais horas trabalham em casa há uma tendência para esse cenário se reverter. Seja como for, se há interesse por parte dessas mulheres em terem uma vida profissional desafiante e competência, não tem de haver discriminação nem positiva, nem negativa. Numa sociedade em que a meritocracia é o fator dominante no acesso profissional, todos saem a ganhar.”

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