Qatargate: Serviços secretos de Marrocos infiltrados no Parlamento Europeu conseguiram “sucessos”, revela investigação

A porta de entrada foi também, como no caso do Qatar, Pier Antonio Panzeri, ex-eurodeputado italiano e fundador da ONG Fight Impunity, um dos detidos pelas autoridades, e que mediaria os contactos entre os responsáveis dos países e as figuras de Bruxelas a serem corrompidas.

Pedro Zagacho Gonçalves

A investigação belga ao escândalo de corrupção que envolve figuras e ex-membros do Parlamento Eurpeu, conhecido como ‘Qatargate’ reveou que também Marrocos é alvo de suspeitas de subornos a troco de decisões na UE favoráveis ao país. Os procuradores defendem que os serviços secretos marroquinos conseguiram infiltrar-se no Parlamento Europeu e instalar a sua rede de influências, registando “sucessos reportados”.

A porta de entrada foi também, como no caso do Qatar, Pier Antonio Panzeri, ex-eurodeputado italiano e fundador da ONG Fight Impunity, um dos detidos pelas autoridades, e que mediaria os contactos entre os responsáveis dos países e as figuras de Bruxelas a serem corrompidas.

Nos documentos da investigação, consultados pelo La Repubblica, surge o nome de Yassine Mansouri, diretor da DGED, os serviços secretos de Marrocos, com dois contactos diretamente atribuídos a este responsável. Um ocorreu com Francesco Cozzolino, ex-eurodeputado e líder de outra ONG envolvida no escândalo de corrupção, e outro com Panzeri. Com este último, Mansouri teve dois encontros registados pelos serviços secretos belgas, um em julho e outro em outubro de 2021.

Outra figura referida nos documentos da investigação é o “o gigante”, Abderrahim Atmoun, embaixador de Marrocos na Polónia, que foi copresidente da comissão parlamentar UE-Marrocos. O também dono do hotel parisiense Beauvoir mantinha uma estreita relação com Panzeri. Tanto que conheceu a mulher e filha deste numa viagem a Marrocos, como revelam as escutas, com presentes de luxo e tratamento especial.

Atmon por sua vez responderia a Mohamed Bellahrach, oficial da Dged, já conhecido dos serviços secretos belgas desde 2008, com atividade em França, onde foi condenado por corrupção, ao tentar subornar um oficial da polícia da fronteira.

Continue a ler após a publicidade

Panzeri, Francesco Giorgi, namorado de Eva Kaili, e Cozzolino são, segundo a investigação, o triângulo da frente de defesa de Marrocos na UE, mas há ainda detalhes sobre contactos diretos entre Atmoun e Maria Arena, eurodeputada socialista próxima de Panzeri.

“Marrocos estabeleceu uma rede de interferência para promover os seus interesses dentro do Parlamento Europeu”, estabelecem os agentes da Vsse, que primeiro detetaram os casos de corrupção.

O relatório destes serviços secretos dá ainda exemplos de alegados “sucessos”, conseguidos através de interferência marroquina em decisões da UE: “numerosas resoluções votadas, várias declarações feitas pela Dmag [delegação de relações próximas com Maghreb], nomeações para o prémio Kakharov, a alteração do relatório anual do Parlamento Europeu sobre o acordo de política internacional e segurança interna, várias nomeações de eurodeputados como membros de comissões ou influência de responsáveis”.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.