‘Qatargate’: Onde está o dinheiro em falta? Mandado de detenção de Kaili refere “vários milhões de euros” em pagamentos

Polícia belga recuperou 1,5 milhões de euros na sequência da investigação ao ‘Qatargate’, que pode ser apenas a ponta do icebergue

Francisco Laranjeira

A polícia belga recuperou 1,5 milhões de euros na sequência da investigação ao ‘Qatargate’, que pode ser apenas a ponta do icebergue – segundo o mandado de prisão de Eva Kaili, antiga vice-presidente do Parlamento Europeu, foram entregues “vários milhões de euros” aos principais suspeitos do escândalo, pagos, de acordo com o jornal ‘POLITICO’, “secretamente, em dinheiro, por Marrocos e Qatar”.

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Segundo fontes da imprensa grega, Kaili fez chamadas para o alegado líder do esquema de corrupção, Pier Antonio Panzeri, assim como dois outros deputados não identificados da União Europeia, após a prisão do seu parceiro, Francesco Giorgi, na manhã de 9 de dezembro. No documento das autoridades belgas é descrito a rede, com sede em Bruxelas que trabalhava em nome do ministro do Trabalho do Qatar – Ali bin Samikh Al Marri -, que conduziu as suas operações através de Panzeri, que está igualmente sob custódia. “O ministro do Trabalho parece ser o controlador as atividades de Panzeri”, salientou o mandado. Franceso Giorgi, parceiro de Kaili, é descrito como o intermediário entre Panzeri e Kaili. “A investigação mostrou que as ordens foram dadas por Panzeri ao marido da acusada.”

Segundo o mandado, Panzeri procurava Giorgi quando queria orientar o comportamento de Kaili – Giorgi estava também a ajudar Kaili, extraoficialmente, a pagar um “segundo apartamento” comprado em seu nome, prova de que ela estava ciente do rendimento do seu parceiro no ‘Qatargate’.

Kaili está detida há mais de dois meses sob a acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa – parte de uma extensa investigação sobre se países estrangeiros, incluindo Qatar e Marrocos, influenciaram ilegalmente o trabalho do Parlamento Europeu.

Logo após terem sido feitas as primeiras detenções, as autoridades belgas anunciaram que recuperaram cerca de 1,5 milhões em dinheiro dos principais suspeitos – no entanto, o total fica bem abaixo dos “vários milhões” referidos no mandado, sugerindo que os suspeitos receberam pagamentos adicionais que ainda não foram recuperados.

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