A investigação belga ao escândalo de corrupção e tráfico de influências que envolve o Parlamento Europeu, Marrocos e Qatar, conhecido como Qatargate, alargou-se a mais pessoas, incluindo duas eurodeputadas.
Trata-se de Maria Arena, eurodeputada belga, e Alessandra Moretti, italiana, que aparecem referenciadas pela polícia belga no mandado de detenção internacional emitido para Andrea Cozzolino, consultado pelo Politico. Cozzolino foi detido na semana passada, suspeito de crimes de corrupção, branqueamento de capitais e participação em organização criminosa.
Segundo o mandado de detenção, Maria Arena e Alessandra Moretti formavam um “quadrunvirato” com Cozzolino e o eurodeputado Marc Tarabella, também detido na semana passada. Os quatro, segundo as suspeitas das autoridades, agiam em nome de Pier Antonio Panzeri, presidente da ONG Fight Impunity e alegado líder da rede que operava no Parlamento Europeu para influenciar decisões a favor do Qatar e Marrocos, que entretanto fez um acordo com as autoridades para evitar uma pena mais pesada.
Os quatro envolvidos pertencem todos aos mesmo grupo parlamentar, os socialistas do S&D, a que pertencia também Eva Kaili, ex-vice-presidente do Parlamento Europeu detida no âmbito da investigação, sendo que Tarabella, Cozzolino e Kaili já foram afastados do partido.
As autoridades dão vários exemplos que parecem indiciar a participação no esquema, em mensagens de texto trocadas entre os suspeitos.
Num SMS citado, Giuseppe Meroni, antigo assistente de Panzeri que ainda estava a trabalhar com o grupo parlamentar à data, diz que “A questão do Qatar está resolvida”. Depois da reunião onde o tema terá sido discutido, Panzeri também recebem informações internas do Parlamento Europeu de Maria Arena e Francesco Giorgi, também ex-assistente de Panzeri, que agora trabalhava para Cozzolino. Giorgi é companheiro de Eva Kaili e também está detido.
“Só posso dizer que foi uma troca de informações dentro da lei, como parte da regular atividade política parlamentar”, garantiu Meroni.
Alessandra Moretti também nega qualquer envolvimento. “Nunca segui quaisquer instruções do Sr. Panzeri na minha atividade política, e nenhuma resolução foi discutida em dezembro de 2021 [data das mensagens]”, garantiu.
As autoridades belgas ainda não pediram o levantamento da imunidade parlamentar de Arena e Moretti, que será necessário para que possam ser construídas arguidas e investigadas.
Maria Arena recusou comentar o caso. A eurodeputada esteve já no centro de outra polémica, em maio de 2022, depois de não ter declarado a tempo que, numa viagem que fez a Doha, o governo qatari pagou os voos e alojamento. Arena demitiu-se no mês passado como presidente do subcomité de direitos humanos do Parlamento Europeu, tendo sucedido a Panzeri neste lugar. Também Moretti, em janeiro deste ano, declarou uma viagem paga pelo Qatar àquele país que ocorreu em fevereiro de 2020.




