Putin reforça e mobiliza unidade militar de elite para travar possível golpe de Estado

Um total de 18 mil militares já começou a estabelecer bloqueios e cortes de circulação em Moscovo, tendo igualmente levado a cabo detenções.

Pedro Zagacho Gonçalves

O aumento de tensão entre o Ocidente e a Rússia, a ameaça de uso de armas nucleares feita por Putin, a mobilização parcial de reservistas ordenada pelo Kremlin (que resultou em protestos por todo o país com mais de 1330 detenções e milhares de homens a fugir da Rússia), bem como a recente ofensiva russa lançada contra várias localidades ucranianas, incluindo a capital Kiev, que fez pelos menos dez mortos esta segunda-feira de manhã, aponta para uma nova fase de escalada de violência na guerra na Ucrânia. Ao mesmo tempo, sobem também de tom as críticas internas a Putin e, por isso o presidente russo já tomou medidas e mobilizou a ODON, uma unidade militar de elite para patrulhar ativamente Moscovo.

Com as críticas e manifestações de desacordo já a chegarem também de dentro do círculo interno e de confiança de Putin, o presidente está a antecipar o que acredita ser um possível golpe de estado e reforçou a ODON – Divisão de Propósito Operacional Separado, um ramo de segurança interna da Guarda Nacional Russa, de mobilização rápida e que está sob alçada das Tropas Internas do Ministério do Interior russo.

Segundo avança o The Sun, fontes dos serviços secretos ucranianos afirmam que a unidade agora reforçada, num total de 18 mil militares, já começou a estabelecer bloqueios e cortes de circulação em Moscovo, tendo igualmente levado a cabo detenções de todos aqueles que são considerados “uma ameaça para a segurança interna da Rússia”. A ODON é liderada pelo major-general Nikolai Kuznetsov, próximo de Putin.

A mobilização desta unidade e o patrulhamento levado a cabo surgem escassos dias após um carro-bomba explodir na Ponte da Crimeia, que destruiu parcialmente a ligação deste território, outrora parte da Ucrânia, e a Rússia, e que motivou ameaças de Lukashenko. O presidente bielorrusso e aliado de Putin anunciou a criação de uma força conjunta com a Rússia, acusando a Ucrânia de estar a prepara um ataque contra a Bielorrússia.

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