Um novo livro do jornalista do Corriere della Sera, Francesco Battistini, refere que a invasão da Ucrânia foi preparada pela Rússia com um ano de antecedência. Em “Frente Ucrânia”, Battistini revela que no dia 21 de fevereiro de 2021, a Rússia enviou três mil paraquedistas para Voronezh, uma zona turística na fronteira com a Ucrânia, um sinal que passou despercebido ao Ocidente.
Na altura, o Ministério da Defesa russo emitiu apenas uma pequena nota a dar conta da deslocação destes soldados para a fronteira com a Ucrânia.
Outros sinais estranhos seguiram-se. Os engenheiros de Putin começaram a reorganizar as linhas da antiga ferrovia, que já não era usada há anos. Também foram instalados diversos hospitais de campanha.
Rapidamente juntaram-se 80 mil homens em Voronezh, soldados e profissionais da guerra na Chechénia. Também foram instalados tanques com mísseis incendiários e termobáricos.
Os satélites norte-americanos detetaram estas movimentações russas, o que gerou desconforto. Mas a resposta do Kremlin parece ter sido suficiente. “É uma transferência legítima e normal de tropas dentro das nossas fronteiras”, afirmou o governo russo.
Washington continuou a estranhar a combinação destes exercícios militares na fronteira com a Ucrânia e as reivindicações históricas do Kremlin relativamente à Ucrânia. Mas, segundo Battistini, pensou-se que esta poderia ser uma forma de Putin testar Joe Biden, que tinha tomado posse como presidente dos Estados Unidos apenas um mês antes.
Poucos na Europa deram crédito ao alarme americano pela deslocação de tropas russas em Voronezh em fevereiro de 2021. Certo é que um ano depois, no dia 24 de fevereiro deste ano, as forças russas começaram a invadir a Ucrânia.














