Putin prepara-se para pressionar a elite escandalosamente rica da Rússia para financiar uma futura guerra com a NATO, alertam analistas

Think tank Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) destacou dois discursos recentes em que o presidente russo expressou raras críticas aos ricos leais que têm sido a espinha-dorsal do seu poder

Francisco Laranjeira

Vladimir Putin está a preparar-se para pressionar a elite rica da Rússia para financiar um futuro conflito com a NATO, denunciou esta quinta-feira o think tank Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), que destacou dois discursos recentes em que o presidente russo expressou raras críticas aos ricos leais que têm sido a espinha-dorsal do seu poder.

Numa reunião no passado dia 19, com líderes do Parlamento inferior russo (Duma), Putin definiu as prioridades do seu novo mandato, instando as autoridades “a agirem no interesse do Estado, em vez de nas corporações ou nos partidos”. As palavras do presidente russo podem ser vistas como um ataque velado à corrupção generalizada que caracteriza a Rússia moderna.

Estas são observações em linha com as feitas há um mês, ao Conselho da Federação da Rússia, altura em que Putin frisou que “os indivíduos que ‘encheram os bolsos’ na década de 1990” – que estão entre a atual colheita de oligarcas – não são a verdadeira elite: o líder do Kremlin garantiu que “são os trabalhadores e militares que provaram a sua lealdade à Rússia”.

Para a ISW, os comentários de Putin são um sinal de alerta para os chamados ‘siloviki’, os ricos ex-funcionários dos serviços de segurança que constituem parte importante da sua base de poder. O presidente russo está a mudar de rumo, “sinalizando que a estabilidade financeira da Rússia a longo prazo exigirá a imposição de pelo menos alguma dor a alguns ‘siloviki’ ricos”, apontou o think tank.

A razão desta mudança pode ser o impulsionar dos preparativos “para um potencial conflito em grande escala com a NATO” – o relatório surgiu depois de uma série de advertências de líderes ocidentais que o Kremlin pode estar a preparar-se para a possibilidade de uma guerra com o Ocidente.

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De acordo com os analistas, o presidente russo há muito que nutre ambições de retomar o controlo de territórios a norte e no leste da Europa que outrora fizeram parte da União Soviética e que uma vitória na Ucrânia poderia encorajá-lo.

Quem são os ‘siloviki’? Quando Putin chegou ao poder em 1999, agiu para punir alguns que tinham enriquecido durante a liberalização da Rússia na década de 1990. Especificamente, enfrentou aqueles que o desafiaram, como o magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky. Surgiu uma nova fação, sob controlo de Putin, que recebeu o controlo de empresas e corporações estatais de energia numa aparente troca pela sua lealdade, tornando-se imensamente ricos.

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