O presidente russo, Vladimir Putin, foi “pressionado” a invadir a Ucrânia e queria colocar “pessoas decentes” no comando em Kiev, referiu o antigo primeiro-ministro de Itália, Silvio Berlusconi, o que atraiu fortes críticas a dois dias das eleições legislativas transalpinas.
O líder político, cujo partido Forza Italia pertence à coligação de direita que deve vencer as eleições marcadas para este domingo, é amigo de longa data de Putin e os seus comentários lançaram o alarme juntos dos aliados ocidentais.
“Putin foi pressionado pelo povo russo, pelo seu partido e pelos seus ministros para criar essa operação especial”, apontou Berlusconi, à televisão pública italiana RAI, na passada quinta-feira. O plano da Rússia era originalmente conquistar Kiev “numa semana” e substituir o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky por “um Governo de pessoas decentes” e sair “na semana seguinte”, referiu.
“Eu nem entendi por que motivo as tropas russas espalharam-se pela Ucrânia enquanto deveriam ter ficado apenas em Kiev”, avançou Berlusconi, de 85 anos, que já descreveu Putin como um irmão mais novo.
Perante a reação adversa aos comentários, Berlusconi emitiu esta sexta-feira uma comunicado no qual garantiu que as suas opiniões foram “demasiado simplicadas”. “A agressão contra a Ucrânia é injustificável e inaceitável, a posição (da Forza Italia) é clara. Estaremos sempre com a UE e a NATO”, explicou.
“São palavras escandalosas e muito sérias”, acusou o líder do Partido Democrata de centro-esquerda, Enrico Letta, e principal rival da coligação. “Se na noite de domingo o resultado for favorável à direita, a pessoa mais feliz será Putin”, disse Letta na rádio RAI.







