Putin foi “pressionado a invadir a Ucrânia para colocar pessoas decentes em Kiev”, diz Berlusconi

Comentários do antigo primeiro-ministro italiano, cujo partido Forza Italia faz parte da coligação de direita favorita ao triunfo nas eleições legislativas de domingo, lançaram o alarme junto dos aliados ocidentais

Francisco Laranjeira

O presidente russo, Vladimir Putin, foi “pressionado” a invadir a Ucrânia e queria colocar “pessoas decentes” no comando em Kiev, referiu o antigo primeiro-ministro de Itália, Silvio Berlusconi, o que atraiu fortes críticas a dois dias das eleições legislativas transalpinas.

O líder político, cujo partido Forza Italia pertence à coligação de direita que deve vencer as eleições marcadas para este domingo, é amigo de longa data de Putin e os seus comentários lançaram o alarme juntos dos aliados ocidentais.

“Putin foi pressionado pelo povo russo, pelo seu partido e pelos seus ministros para criar essa operação especial”, apontou Berlusconi, à televisão pública italiana RAI, na passada quinta-feira. O plano da Rússia era originalmente conquistar Kiev “numa semana” e substituir o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky por “um Governo de pessoas decentes” e sair “na semana seguinte”, referiu.

“Eu nem entendi por que motivo as tropas russas espalharam-se pela Ucrânia enquanto deveriam ter ficado apenas em Kiev”, avançou Berlusconi, de 85 anos, que já descreveu Putin como um irmão mais novo.

Perante a reação adversa aos comentários, Berlusconi emitiu esta sexta-feira uma comunicado no qual garantiu que as suas opiniões foram “demasiado simplicadas”. “A agressão contra a Ucrânia é injustificável e inaceitável, a posição (da Forza Italia) é clara. Estaremos sempre com a UE e a NATO”, explicou.

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“São palavras escandalosas e muito sérias”, acusou o líder do Partido Democrata de centro-esquerda, Enrico Letta, e principal rival da coligação. “Se na noite de domingo o resultado for favorável à direita, a pessoa mais feliz será Putin”, disse Letta na rádio RAI.

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