Putin fala hoje ao país com guerra na Ucrânia e negociações de paz em pano de fundo

O Presidente russo, Vladimir Putin, participa esta sexta-feira, a partir das 12:00 em Moscovo (09:00 em Lisboa), na conferência de imprensa anual designada por “Resultados do Ano”, um formato que, em 2025, é realizado pela quarta vez como uma sessão combinada de conferência de imprensa e teleconferência, com perguntas de jornalistas e cidadãos.

Executive Digest

O Presidente russo, Vladimir Putin, participa esta sexta-feira, a partir das 12:00 em Moscovo (09:00 em Lisboa), na conferência de imprensa anual designada por “Resultados do Ano”, um formato que, em 2025, é realizado pela quarta vez como uma sessão combinada de conferência de imprensa e teleconferência, com perguntas de jornalistas e cidadãos.

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A intervenção decorre num momento particularmente sensível, marcado pela intensificação dos esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra na Ucrânia, mas também por declarações recentes de Putin em que avisa que a Rússia procurará alargar os seus ganhos territoriais caso as negociações de paz fracassem.

Numa reunião esta semana com os principais responsáveis militares russos, Vladimir Putin afirmou que Moscovo prefere alcançar os seus objectivos por via diplomática e “eliminar as causas profundas do conflito”, mas deixou claro que essa opção depende da disponibilidade de Kyiv e dos seus aliados ocidentais para aceitarem as exigências do Kremlin.

Caso isso não aconteça, advertiu, a Rússia alcançará os seus objetivos “pela via militar”, garantindo que irá prosseguir aquilo que descreveu como a “libertação das suas terras históricas”. O Presidente russo afirmou ainda que o exército russo “detém firmemente a iniciativa estratégica ao longo de toda a linha da frente” e que Moscovo irá expandir uma “zona tampão de segurança” junto à fronteira russa.

Putin elogiou o estado actual das forças armadas russas, considerando que são agora “combatidas, endurecidas pela guerra” e que “não existe hoje no mundo um exército semelhante”.

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Modernização nuclear e rejeição de ameaças à Europa
Durante a mesma intervenção, Putin destacou o reforço do poder militar da Rússia, sublinhando em particular a modernização do arsenal nuclear. Referiu o míssil balístico Oreshnik, de alcance intermédio e capacidade nuclear, que, segundo disse, entrará oficialmente em serviço operacional ainda este mês.

O Presidente russo recordou que uma versão convencional deste míssil foi utilizada em Novembro de 2024 contra uma fábrica ucraniana, sustentando que o sistema é impossível de interceptar.

Em paralelo, rejeitou de forma categórica as declarações de dirigentes europeus sobre alegados planos russos para atacar países da Europa, classificando essas afirmações como “mentiras e puro disparate”, motivadas, segundo disse, por interesses políticos pessoais ou de grupo, e não pelo interesse dos povos europeus.

Exigências russas colidem com posições de Kyiv e aliados
As declarações de Putin surgem após várias rondas de contactos, ao longo da semana, entre responsáveis ucranianos, norte-americanos e europeus, centradas num plano de paz elaborado pelos Estados Unidos. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou recentemente que o documento poderá ser finalizado nos próximos dias, antes de ser apresentado ao Kremlin.

Putin exige que todas as áreas capturadas pelas forças russas em quatro regiões ucranianas, bem como a Crimeia, anexada em 2014, sejam reconhecidas como território russo. Moscovo pretende ainda que a Ucrânia retire tropas de zonas do leste do país que ainda não foram ocupadas pelas forças russas.

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O Kremlin insiste igualmente que a Ucrânia abandone definitivamente a sua candidatura à NATO e avisou que não aceitará a presença de tropas de países da Aliança Atlântica em território ucraniano, considerando-as “alvos legítimos”.

Zelensky já manifestou abertura para abdicar da adesão à NATO caso os Estados Unidos e outros aliados concedam garantias de segurança equivalentes às oferecidas aos membros da Aliança, embora continue a considerar a adesão como a melhor garantia contra futuras agressões russas. O Presidente ucraniano rejeitou, no entanto, qualquer cedência territorial adicional.

Zelensky acusa Moscovo de preparar mais um ano de guerra
Em reacção às declarações de Putin, Volodymyr Zelensky afirmou que a Rússia está a preparar “o próximo ano como um ano de guerra”, apesar das negociações em curso. O Presidente ucraniano considerou que os sinais enviados por Moscovo demonstram intenções agressivas e apelou aos parceiros internacionais, em particular aos Estados Unidos, para responderem de forma firme.

Zelensky sublinhou ainda a importância de uma cimeira em Bruxelas dedicada à utilização de cerca de 250 mil milhões de dólares em activos russos congelados para apoiar a Ucrânia, defendendo que a decisão deve ser suficientemente forte para dissuadir Moscovo de continuar a guerra.

Planos militares russos para novos avanços no terreno
Na reunião com Putin, o ministro da Defesa russo, Andrei Belousov, apresentou planos para novas ofensivas, afirmando que os recentes avanços na região de Donetsk criaram condições para uma progressão rápida para as áreas ainda controladas pela Ucrânia.

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Belousov declarou também que as forças russas se preparam para expulsar tropas ucranianas de partes da região de Zaporizhzhia, anexada por Moscovo em 2022, mas nunca totalmente ocupada, bem como para alargar ganhos na vizinha região de Dnipropetrovsk.

Segundo o ministro, “a principal tarefa para o próximo ano é preservar e acelerar o ritmo da ofensiva”, destacando investimentos em drones, sistemas de guerra eletrónica e defesa aérea.

Enquanto decorrem contactos diplomáticos, os combates mantêm-se intensos. As autoridades ucranianas indicaram que ataques russos com bombas planadoras na região de Zaporizhzhia provocaram dezenas de feridos e danos em edifícios residenciais, infraestruturas e uma unidade de ensino.

A força aérea ucraniana anunciou que a Rússia lançou dezenas de drones de longo alcance durante a noite, tendo sido intercetada ou neutralizada uma parte significativa. Moscovo, por seu lado, afirmou ter abatido dezenas de drones ucranianos em várias regiões russas, incluindo Krasnodar e Voronezh, onde foram registados feridos e danos em infraestruturas.

A conferência “Resultados do Ano”, na qual Putin deverá responder a perguntas sobre política interna e externa, é acompanhada com especial atenção internacional, num momento em que o Presidente russo reafirma que os objetivos da chamada “operação militar especial” serão alcançados “ou pela diplomacia ou pela guerra”.

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