Putin fala em “histeria”, mas a Europa escuta ameaças cada vez mais reais: especialistas duvidam das intenções do Kremlin

Putin sustentou que este discurso é promovido de forma deliberada por líderes europeus, a quem acusou de seguirem a linha da anterior administração americana

Francisco Laranjeira

O presidente russo, Vladimir Putin, classificou como “histeria” os alertas sobre um eventual conflito com a Europa, apesar da intensificação recente dos ataques híbridos atribuídos a Moscovo e das próprias ameaças dirigidas ao Ocidente. As declarações foram feitas num discurso em que o líder do Kremlin acusou os europeus de estarem “doutrinados pelo medo de um confronto inevitável com a Rússia”, rejeitando a ideia de uma ameaça russa como “mentira” e “absurdo”, segundo o ‘The Independent’.

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De acordo com o jornal britânico, Putin sustentou que este discurso é promovido de forma deliberada por líderes europeus, a quem acusou de seguirem a linha da anterior administração americana. O presidente russo descreveu Joe Biden como um dirigente belicista, alegando que conduziu conscientemente a situação para um conflito armado, e afirmou que os responsáveis europeus alinharam com essa estratégia na expectativa de beneficiar de um eventual enfraquecimento da Rússia.

As declarações surgem poucas semanas depois de Putin ter afirmado que a Rússia estava “pronta para lutar” contra a NATO, numa sequência de avisos e ameaças que, desde o início da guerra na Ucrânia, têm sido dirigidos repetidamente à Europa. Ainda assim, o líder russo insistiu que Moscovo não planeia uma guerra com os países europeus, garantindo, no entanto, que está “pronta agora mesmo” caso a Europa decida avançar ou iniciar um conflito.

Num encontro anual com o Ministério da Defesa, Putin reiterou as exigências russas para um eventual acordo de paz na Ucrânia, sublinhando que a Rússia “sem dúvida” alcançará os seus objetivos de guerra. Disse preferir uma solução diplomática, mas advertiu que, se as negociações falharem e a Ucrânia e os seus aliados não se envolverem nos termos propostos, Moscovo recorrerá à via militar para o que designa como a “libertação dos seus territórios históricos”.

O Kremlin aguarda uma posição de Washington sobre os resultados das negociações recentes entre os Estados Unidos e a Ucrânia, realizadas no início da semana, com vista a um possível fim do conflito. Um dos principais pontos de fricção continua a ser a recusa da Rússia em ceder nas suas exigências territoriais sobre solo ucraniano.

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Enquanto vários países europeus discutem garantias de segurança para a Ucrânia no pós-guerra, Putin tem reforçado os avisos de que a Rússia está preparada para alargar o conflito. O presidente russo afirmou que eventuais forças de paz estrangeiras seriam consideradas alvos legítimos, alertando que, se a Europa decidir entrar em guerra com a Rússia, “a situação pode evoluir muito rapidamente para um cenário em que Moscovo deixará de ter com quem negociar”.

Apesar destas declarações, analistas ocidentais consideram que Moscovo está a preparar-se ativamente para um confronto mais amplo. O chefe das Forças Armadas britânicas alertou esta semana que a Rússia representa uma ameaça real para o Reino Unido, defendendo que a população deve estar preparada para um eventual ataque.

No mesmo sentido, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, advertiu que a Rússia poderá atacar um Estado-membro da Aliança nos próximos cinco anos, uma avaliação que coincide com relatórios recentes das autoridades de informação da Dinamarca e da Letónia sobre o reforço das capacidades russas de sabotagem na Europa.

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