Vladimir Putin abriu a porta a negociações de paz temporária com a Ucrânia, revelou esta sexta-feira o jornal independente russo ‘Meduza’. Uma decisão que, segundo o líder do Kremlin, é apoiada pela Índia e a China.
O presidente russo, que baixou o tom belicoso dos últimos dias, pode até retirar as suas tropas da região de Kherson mas impôs diversas condições: a Crimeia não fará parte das negociações e o território anexado do Donbass permanecerá sob controlo russo. É improvável que Kiev concorde com essas condições e o críticos do Kremlin têm sugerido que a tentativa de negociações de paz mais não seja que um pretexto para as tropas russas reagruparem e renovarem os seus ataques.
Nas últimas semanas, diversos representantes das autoridades russas têm comentado, com maior frequência, a possibilidade de negociações com a Ucrânia ou com países ocidentais. Esta 6ª feira, por exemplo, Sergey Naryshkin, responsável pelo Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, sugeriu que as negociações eram possíveis mas apenas “sob certas condições”. O próprio Vladimir Putin já havia levantado o tema em setembro último: “Vamos fazer tudo para garantir que isso termine o mais rápido possível. Infelizmente, apenas o lado oposto, a liderança ucraniana, declarou a sua recusa em negociar, declarou que quer alcançar os seus objetivos por meios militares ou, como dizem, no campo de batalha.”
Segundo o ‘Meduza’, as autoridades russas desenvolveram uma nova “opção tática”. Neste cenário, em vez de fazer a Ucrânia concordar com um tratado de paz completo, o Kremlin procuraria um cessar-fogo temporário. Os líderes da Rússia acreditam que isso pode ser feito através de negociações entre as tropas russas e ucranianas – sem o envolvimento do presidente de qualquer um dos países.
Assim, o Kremlin tem tentado “influenciar os líderes ocidentais” e o presidente da Turquia, Recep Erdogan, “convence” a Ucrânia a regressar à mesa das negociações. O “argumento simples” russo é “as baixas civis devem ser evitadas”.
Ao mesmo tempo, segundo fontes do jornal, Putin não tem planos para acabar com a guerra e espera usar o possível cessar-fogo para se preparar para uma nova ofensiva. Na visão de Putin, a trégua permitiria ao exército russo treinar os soldados recém-mobilizados para a guerra e reabastecer o seu equipamento. No plano do Kremlin, a “nova ofensiva em grande escala” pode começar aproximadamente em fevereiro ou março de 2023.
O conselheiro de Zelensky, Mykhailo Podolyak, diz que “este cenário não é absolutamente do interesse da Ucrânia, então essas propostas – sejam ou não feitas publicamente – estão fora de questão”, enfatizando que a Ucrânia está “extremamente interessada” em derrotar a Rússia militarmente: “Porque essa é a única coisa que nos permitirá realmente acabar com a guerra, ganhar a oportunidade de punir brutalmente os criminosos de guerra através dos canais legais e facilitar indiretamente o lançamento de um cenário em que o sistema político da própria Rússia é transformado.”












