“Putin está a transformar-se num Kim Jong-un e a Rússia numa nova Coreia do Norte. Mas com muitas mais armas nucleares”, afirma antigo presidente ucraniano

Petro Poroshenko descarta a possibilidade da Ucrânia chegar a um compromisso num acordo de paz com a Rússia que envolva a cedência de territórios ucranianos.

Executive Digest

Desde que começou a invasão russa da Ucrânia, o antigo presidente deste país, Petro Poroshenko, passou a ser visto nas ruas de Kiev com uma AK-47 nas mãos e foi para as trincheiras, tornando-se um dos promotores das várias unidades de defesa territorial na Ucrânia.

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Numa entrevista concedida ao El Mundo, Poroshenko destacou que a Ucrânia conseguiu “travar a Rússia porque o exército se treinou com a NATO” e vincou que Vladimir Putin sofreu uma transformação radical, tendo-se transformado “num Kim Jong-un e a Rússia numa nova Coreia do Norte”.

“Nos últimos anos, passo a passo, Putin está a transformar-se no líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e a Rússia numa nova Coreia do Norte. Mas com muitas mais armas nucleares e mais recursos energéticos. Passaram a ser tóxicos, a estar isolados”, declarou Poroshenko.

O antigo presidente ucraniano assinala que Putin “se considera agora como uma espécie de imperador ou Deus”. “Já não é só o líder de um país. Quer criar um novo império russo ou recrear a União Soviética e para isso precisa da Ucrânia”, acrescentou.

Poroshenko enfatizou na entrevista que a Ucrânia conseguiu travar a Rússia porque durante a sua presidência construiu “um novo exército ucraniano” baseado “nos parâmetros da NATO enquanto a Rússia seguiu com o sistema soviético”.

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O antigo líder ucraniano descarta a possibilidade da Ucrânia chegar a um compromisso num acordo de paz com a Rússia que envolva a cedência de territórios ucranianos.

“A integridade territorial de um país não permite concessões. Seria muito perigoso aceitar este precedente, que um país possa mudar as fronteiras pela força. Sim, isso já aconteceu antes, com Hitler. Se o agressor agarrar a sua mão, também vai querer o seu braço. Se dissermos: ‘Vamos alimentar um pouco o crocodilo’. Ele vai acabar por comer-nos. Não se pode confiar em Putin e não se pode ter medo dele, como nós tivemos durante estes oito anos”, fez notar Poroshenko.

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