Vladimir Putin está a provocar “um conflito artificial” para distrair dos seus problemas domésticos, acusou um alto general reformado, que apelou ao presidente russo para não entrar em guerra com a Ucrânia. O coronel-general Leonid Ivashov, de 78 anos, foi o autor de uma carta aberta – ‘A Véspera da Guerra’ – na qual criticou a “política criminosa de Putin de provocar uma guerra”, apesar de a Rússia não enfrentar qualquer “ameaça crítica”.
Leonid Ivashov, que se reformou do serviço militar e atua na esfera política como presidente da Assembleia de Oficiais de Toda a Rússia, atuou anteriormente como chefe de cooperação militar de Putin no Ministério da Defesa, e revelou temer que a Rússia se torne um “pária da comunidade mundial” se uma invasão for lançada, reforçando o apelo para a renúncia do Kremlin das intenções de uma invasão.
Desde que foi demitido por Putin em 2001, Ivashov tornou-se um crítico feroz do presidente russo – frequentemente pede a sua renúncia por ser muito “mole” e proteger uma elite corrupta às custas do público, acusando-o de “crimes contra a Rússia”.
“Quanto às ameaças externas, elas certamente estão presentes. Mas, de acordo com a nossa avaliação de especialistas, eles não são críticas no momento, ameaçando diretamente a existência do Estado russo e seus interesses vitais”, apontou Ivashov. “A Ucrânia tem direito à autodefesa como nação independente” e a reação internacional à anexação da Crimeia “mostrou de forma convincente o fracasso da política externa russa”.
“O uso da força militar contra a Ucrânia, em primeiro lugar, colocará em questão a própria existência da Rússia como Estado; em segundo lugar, fará de russos e ucranianos inimigos mortais para sempre. Em terceiro lugar, haverá dezenas de milhares de homens jovens e saudáveis mortos de um lado e do outro, o que certamente afetará a futura situação demográfica em nossos países moribundos. No campo de batalha, se isso acontecer, as tropas russas vão enfrentar não apenas os militares ucranianos, entre os quais haverá muitos russos, mas também militares e equipamentos de muitos países da NATO. Os Estados-membros da aliança serão obrigados a declarar guerra à Rússia”, explicou, resumindo.
“Tal invasão vai ameaçar a paz e a segurança internacional” e resultaria em pesadas sanções para a Rússia. “O presidente e o Governo, o Ministério da Defesa não podem deixar de entender tais consequências, eles não são assim tão estúpidos”, finalizou Ivashov.




