Vladimir Putin e os principais representantes do seu governo têm apostado numa retórica com um tom ameaçador para a NATO e para os membros da Aliança Atlântica, reforçando a ideia junto da população russa de que o país está em guerra com a NATO.
“A propaganda interna enfatizou que a Rússia não está em guerra com a Ucrânia, mas sim com a NATO e o Ocidente”, afirmou Yuri Zhukov, professor da Universidade do Michigan, em declarações à Newsweek.
“Isto torna mais fácil explicar as perdas militares a uma audiência nacional. Também ajuda a lançar as bases políticas para um potencial mobilização total em tempo de guerra na Rússia, que o regime hesitou em anunciar até agora. E sim, também cria pressão política para atacar alvos da NATO, começando pelas linhas de abastecimento”, acrescentou.
“Creio que desde a perspetiva de Moscovo, querem construir um caso de que tudo isto foi iniciado pela NATO e pelos Estados Unidos”, frisou o diretor da Democracy Initiatives, Jonathan Katz. Para este especialista, Putin está a recorrer à ideia do “bicho-papão da NATO e dos Estados Unidos para justificar as ações que está a tomar perante a população russa”.
Mas face a esta retórica e propaganda do Kremlin para o povo russo, cresce o receio de que a Rússia possa de facto atacar algum dos membros da NATO. “Acho que é mais do que provável que a Rússia finalmente se sinta obrigada a realizar alguma ação contra os países da NATO, ainda que seja apenas para fazer com que as suas ameaças de represálias pareçam mais credíveis”, admite Zhukov.
Entretanto, o dia 9 de maio, o Dia da Vitória, no qual a Rússia comemora a derrota da Alemanha nazi continua a ser apontado como uma data decisiva. Os especialistas acreditam que a Rússia pode declarar a vitória e o fim do conflito na Ucrânia ou então transitar da “operação militar especial” para uma guerra declarada com o país vizinho.












