Putin desloca mísseis nucleares para fronteira da UE com apoio da Bielorrússia

Líder da oposição acrescentou que a Bielorrússia é também um elo relevante no complexo militar-industrial russo, estimando que cerca de 300 empresas bielorrussas estejam a apoiar os esforços de produção de Moscovo

Francisco Laranjeira

Vladimir Putin estará a deslocar mísseis nucleares para a fronteira da União Europeia com o apoio da Bielorrússia, alertou Sviatlana Tsikhanouskaya, líder da oposição bielorrussa no exílio. Em entrevista ao ‘The Telegraph’, a dirigente afirmou que o regime de Alexander Lukashenko está a facilitar o reforço da presença militar russa no país, contribuindo para uma possível escalada da guerra na Ucrânia.

Segundo o jornal britânico, Tsikhanouskaya denunciou que a Bielorrússia está prestes a acolher armas nucleares e mísseis russos no seu território. “Observámos como, em território bielorrusso, o regime de Lukashenko intensifica a presença da Rússia. Estão prestes a implantar armas nucleares, mísseis russos”, afirmou.

A líder da oposição acrescentou que a Bielorrússia é também um elo relevante no complexo militar-industrial russo, estimando que cerca de 300 empresas bielorrussas estejam a apoiar os esforços de produção de Moscovo, incluindo a construção de novas unidades dedicadas ao fabrico de drones. Para Tsikhanouskaya, estes sinais indicam preparação para uma nova fase de escalada.

As declarações foram feitas à margem da Conferência de Segurança de Munique, onde Tsikhanouskaya participou como chefe do Gabinete de Transição Unificado. No fórum, procurou reforçar junto de líderes ocidentais a distinção entre o regime de Lukashenko e o povo bielorrusso, sublinhando que o primeiro serve os interesses de Moscovo, enquanto muitos cidadãos desejam um futuro democrático e independente.

Em Munique, Tsikhanouskaya apelou à Europa para não alterar a sua política de pressão sobre o regime, defendendo uma estratégia de longo prazo. “Enquanto Lukashenko estiver no poder, os problemas só vão aumentar”, afirmou, advertindo que a Bielorrússia continuará a ser utilizada para promover os interesses estratégicos da Rússia se não houver mudança interna.

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No plano da segurança europeia, a dirigente argumentou que a Bielorrússia deixou de ser vista apenas como um “apêndice” da Rússia. A sua inclusão, pela primeira vez, como tema autónomo no programa principal da Conferência de Munique foi apresentada como sinal de reconhecimento da importância estratégica do país na arquitetura de segurança regional. Sem uma Bielorrússia livre, advertiu, haverá sempre risco de deslocação de armas, chantagem política e novas tensões na fronteira leste da União Europeia.

Tsikhanouskaya sublinhou também a importância da unidade transatlântica num momento em que as relações entre os EUA e a Europa enfrentam desafios. Pediu à União Europeia que se mantenha firme, defendendo que a libertação dos presos políticos é uma prioridade imediata, mas que o objetivo estratégico é a libertação do país — algo que considera ser não apenas um interesse nacional bielorrusso, mas também um interesse europeu.

As declarações surgem num contexto de crescente tensão na região, com a guerra na Ucrânia em curso e a Bielorrússia a desempenhar um papel logístico e estratégico relevante para Moscovo. O aviso deixado em Munique aponta para uma possível militarização ainda mais acentuada da fronteira oriental da União Europeia.

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