A mensagem para o país de Emmanuel Macron, onde alertou sobre a “ameaça russa”, causou uma tensão sem precedentes entre Paris e Moscovo desde o início da guerra na Ucrânia: o Kremlin condenou o tom de guerra usado pelo presidente francês e alertou que a sua retórica nuclear, oferecendo estender o seu “guarda-chuva nuclear” aos aliados europeus, “é uma ameaça à Rússia”.
Vladimir Putin fez menção disso mesmo, esta quinta-feira, referindo-se a Macron sem o mencionar diretamente, lembrando o destino de Napoleão Bonaparte, que invadiu a Rússia em 1812, onde foi derrotado e forçado à retirada. “Ainda existem aqueles que querem reviver os tempos de Napoleão, esquecendo-se como terminou”, frisou o líder russo, que acrescentou que todos os erros “dos nossos inimigos” começam com a “subestimação” do caráter do povo russo. “Não precisamos do que não é nosso, mas não desistiremos do que é”, sobre os territórios controlados em solo ucraniano.
“O discurso estava num tom extremo de confronto”, garantiu o porta -voz do Kremlin Dmitri Peskov que acusou o presidente francês de querer prolongar a guerra na Ucrânia. “Dificilmente pode ser percebido como o discurso de um chefe de Estado à procura da paz.”
“O futuro da Europa não deve ser decidido em Washington ou Moscovo”, apontou o chefe de Estado francês, no seu discurso desta quarta-feira. “A ameaça do Oriente voltou. E a inocência dos últimos 30 anos desde a queda do Muro de Berlim terminou.”
Macron acusou a Rússia de “testar os limites no ar, no mar, no espaço e nos nossos ecrãs”, em referência à “guerra híbrida” do Kremlin. “Não é apenas o povo da Ucrânia que está a lutar pela sua liberdade”, disse o presidente francês. “É também a nossa própria segurança que está ameaçada. Se um país pode invadir o seu vizinho sem receber punição, a paz não pode ser garantida no nosso continente.”











