Putin chama “porquinhos” aos líderes europeus e admite prolongar a guerra na Ucrânia até 2026

Declarações surgem num momento em que Moscovo admite explicitamente a possibilidade de prolongar o conflito até 2026, caso falhem as negociações de paz com os Estados Unidos

Francisco Laranjeira

O presidente russo, Vladimir Putin, voltou a endurecer o discurso sobre a guerra na Ucrânia e dirigiu ataques verbais diretos aos líderes europeus, a quem chamou “porquinhos”, acusando-os de seguirem cegamente a estratégia do anterior Governo americano. As declarações surgem num momento em que Moscovo admite explicitamente a possibilidade de prolongar o conflito até 2026, caso falhem as negociações de paz com os Estados Unidos.

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Falando perante a cimeira das Forças Armadas russas e o Ministério da Defesa, Putin afirmou que a Rússia está preparada para continuar a ofensiva militar com o objetivo de conquistar toda a região de Donbass e criar uma zona de segurança noutras áreas da Ucrânia. “Não fomos nós que começámos a guerra em 2022. O Ocidente desencadeou a guerra. Nós apenas tentámos pôr-lhe fim”, declarou, segundo o ’20Minutos’.

Ataque direto à Europa e elogios cautelosos a Trump

No mesmo discurso, Putin criticou duramente os dirigentes europeus, acusando-os de se terem alinhado com a administração Biden e de procurarem beneficiar com o enfraquecimento da Rússia. “Os porquinhos europeus juntaram-se imediatamente aos esforços do Governo americano anterior, na esperança de lucrar com o colapso do nosso país”, afirmou.

Em contraste, o presidente russo elogiou a disponibilidade de Donald Trump para procurar uma solução negociada para o conflito, embora tenha considerado improvável alcançar uma resolução pacífica com a atual geração de líderes europeus. Sem mencionar diretamente as reuniões desta semana em Berlim, Putin respondeu às declarações de Volodymyr Zelensky, que garantiu não abdicar de território ucraniano.

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“Preferimos abordar as causas profundas do conflito pela via diplomática. Se o adversário e os seus apoiantes estrangeiros se recusarem a discutir, a Rússia libertará os seus territórios históricos por meios militares”, afirmou.

Confiança militar e cenário de guerra prolongada

Putin assegurou que, ao longo do último ano, as forças russas conquistaram mais de 300 localidades, insistindo que o exército mantém a iniciativa estratégica em toda a linha da frente. Especialistas independentes apontam, no entanto, que o território efetivamente ocupado representa menos de 1% da Ucrânia.

Ainda assim, o Kremlin garante que a ofensiva continuará, com planos para alargar a zona de segurança às regiões ucranianas de Kharkiv, Dnipropetrovsk e Sumi. Segundo o ’20Minutos’, Putin classificou as Forças Armadas russas como “as mais eficazes do mundo”, apesar de reconhecer o apoio militar da NATO a Kiev.

Defesa admite condições para continuar a guerra em 2026

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No relatório anual apresentado após o discurso presidencial, o ministro da Defesa, Andrei Belousov, afirmou existirem “condições reais” para a continuação da guerra em 2026. O governante justificou esta perspetiva com os preparativos acelerados da NATO para um eventual confronto direto com a Rússia na próxima década.

Belousov sublinhou ainda o aumento dos gastos com a defesa, que já representam 7,3% do Produto Interno Bruto, com mais de cinco pontos percentuais destinados diretamente a operações militares, num contexto de sanções internacionais e pressão crescente sobre a economia russa.

Apesar desse cenário, Putin manteve-se inflexível, defendendo que a Rússia recuperou plenamente a sua soberania e reiterando que Moscovo não pretende ameaçar outros países, mas exige que a NATO cumpra as promessas de não expansão para a Europa de Leste.

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