Putin aprova nova doutrina de política externa baseada no ‘Mundo Russo’

Nova “política humanitária” sustenta que a Rússia deve “proteger, salvaguardar e promover as tradições e os ideais do mundo russo”

Francisco Laranjeira
Setembro 6, 2022
11:09

O presidente Vladimir Putin aprovou uma nova doutrina de política externa baseada no conceito de “Mundo Russo”, uma noção que ideólogos conservadores usaram para justificar a intervenção no exterior em apoio aos falantes de russo, garantiu esta 3ª feira a agência ‘Reuters’.

A “política humanitária” de 31 páginas, publicada mais de seis meses após a guerra na Ucrânia, sustenta que a Rússia deve “proteger, salvaguardar e promover as tradições e os ideais do mundo russo”.

Embora apresentada como uma espécie de estratégia de poder brando, a doutrina consagra em ideias políticas oficiais em torno da política e religião russas que alguns radicais têm usado para justificar a ocupação de partes da Ucrânia por Moscovo e o apoio a entidades pró-russas separatistas no leste do país.

“A Federação Russa oferece apoio aos seus compatriotas que vivem no exterior no cumprimento dos seus direitos, para garantir a proteção dos seus interesses e a preservação da sua identidade cultural russa”, pôde ler-se, garantindo que os laços da Rússia com os seus compatriotas no exterior permitiram “fortalecer no cenário internacional a sua imagem como um país democrático que luta pela criação de um mundo multipolar”.

Putin tem vindo a destacar, há anos, o que vê como o destino trágico de cerca de 25 milhões de russos étnicos que se viram a viver fora da Rússia em estados recém-independentes quando a União Soviética entrou em colapso em 1991, um evento que ele chamou de “catástrofe geopolítica”.

A Rússia continuou a considerar o antigo espaço soviético, do Báltico à Ásia Central, como a sua legítima esfera de influência – uma noção que muitos desses países resistem ferozmente, bem como o Ocidente.

A nova política diz que a Rússia deve aumentar a cooperação com nações eslavas, China e Índia, e fortalecer ainda mais os seus laços com o Médio Oriente, América Latina e África, frisando ainda que Moscovo deve aprofundar ainda mais os seus laços com a Abkhazia e a Ossétia, duas regiões georgianas reconhecidas como independentes pelo Kremlin após a sua guerra contra a Geórgia em 2008, bem como as duas entidades separatistas no leste da Ucrânia, a autodenominada República Popular de Donetsk e Luhansk.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.