Putin anuncia que mobilização de reservistas acaba em duas semanas: “Neste momento, não há necessidade de ataques massivos à Ucrânia”

Presidente ucraniano garante que não é objetivo da Rússia “destruir a Ucrânia”.

Pedro Zagacho Gonçalves

Vladimir Putin disse esta sexta-feira em conferência de imprensa que os ataques massivos à Ucrânia, neste momento, deverão cessar: “No imediato, não há necessidade de ataques massivos. Atualmente, existem outros objetivos. De momento. Depois veremos”, declarou Vladimir Putin em conferência de imprensa após uma cimeira regional no Cazaquistão, assegurando ainda que não tem por objetivo “destruir a Ucrânia”.

A declaração surge depois de uma semana de fortes ataques russos a várias cidades ucranianas, em retaliação pela destruição parcial da ponte de Kerch, que liga a península da Crimeia à Rússia.

Putin também frisou que não prevê ampliar a mobilização parcial que anunciou há três semanas para um envolvimento no conflito, apontando que até ao momento já foram recrutados 220.000 homens dos 300.000 previstos e que 16.000 já se encontram estacionados “em unidades envolvidas nos combates”.

“Nada mais está previsto. Não foi recebida qualquer proposta do ministério da Defesa e não vejo necessidade num futuro previsível”, declarou, antes de admitir o fim do processo de mobilização “dentro de duas semanas” e de reconhecer falhas no seu decurso.

“A linha da frente prolonga-se por 1.100 quilómetros, por isso é quase impossível mantê-la exclusivamente com tropas formadas por militares contratados”, justificou o Presidente russo, quando o anúncio da mobilização implicou a fuga do país de milhares de russos.

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Sem arrependimentos

Nas suas declarações, o chefe de Estado russo também reconheceu que não tem qualquer arrependimento em relação à invasão da Ucrânia e insistiu que a Rússia está a fazer a coisa certa: “O que está a acontecer hoje é desagradável, mas estamos a fazer o que está certo”, sublinhou.

Putin também disse estar aberto a negociações com Kiev e a mediações de países como a Turquia ou os Emirados Árabes Unidos, criticando a liderança ucraniana por recusar o início de conversações consigo.

Pelo contrário, o líder da Federação russa indicou que não tem interesse imediato em manter conversações com o seu homólogo norte-americano, Joe Biden. “Não vejo a necessidade, atualmente não existe plataforma de negociações”, explicou, afastando a possibilidade de um encontro com Biden à margem da cimeira do G20, em novembro.

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Aliás, apontou, a sua participação na Indonésia ainda não está decidida. “A questão da minha viagem não foi finalizada. A Rússia vai certamente participar. Quanto ao formato, ainda estamos a pensar nisso”, disse Putin.

 

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