Vladimir Putin acusou esta sexta-feira o Ocidente de tentar cancelar a cultura russa, incluindo as obras de grandes compositores como Pyotr Tchaikovsky, Dmitry Shostakovich e Sergei Rachmaninov. Numa reunião televisiva com importantes figuras culturais, o presidente da Rússia comparou o cancelamento de vários eventos culturais russos nas últimas semanas com as ações da Alemanha nazi na década de 1930.
“Hoje estão a tentar cancelar toda uma cultura de mil anos, o nosso povo”, garantiu Putin, citando o cancelamento de eventos que envolvem artistas russos em alguns países ocidentais. “Estou a falar sobre a discriminação gradual contra tudo relacionado à Rússia, uma tendência que se desenvolve em vários países ocidentais”, afirmou.
Já vários eventos que envolveram figuras culturais russas que manifestaram apoio à guerra foram entretanto cancelados, incluindo alguns que envolviam Valery Gergiev, diretor-geral do Teatro Mariinsky, de São Petersburgo, que esteve presente com Putin durante a reunião desta sexta-feira. Gergiev foi afastado do cargo de maestro chefe da Filarmónica de Munique e perdeu a oportunidade de reger no Teatro alla Scala, de Milão, depois de não ter condenado a invasão da Rússia.
Houve também diversos eventos cancelados devido à sua associação com figuras culturais russas, com a Orquestra Filarmónica de Cardiff a retirar uma peça de Tchaikovsky do seu programa e houve movimentos semelhantes feitos por orquestras no Japão e na Croácia.
O Teatro Real da Espanha, uma das principais casas de ópera da Europa, cancelou apresentações no final deste ano do Ballet Bolshoi da Rússia. As casas de leilões Christie’s, Sotheby’s e Bonhams cancelaram as vendas de arte russa em Londres.




