Putin admite erros na mobilização de reservistas russos: “É preciso trazer de volta aqueles que foram recrutados sem razões adequadas”

Houve manifestações públicas generalizadas de descontentamento de funcionários e cidadãos sobre a forma como a mobilização foi tratada, incluindo reclamações sobre oficiais de alistamento que enviaram papéis de convocação para homens claramente inelegíveis

Francisco Laranjeira

O presidente Vladimir Putin reconheceu “todos os erros” cometidos após a mobilização parcial para reforçar a operação militar da Rússia na Ucrânia e apontou que devem ser corrigidos, naquele que foi o primeiro reconhecimento público de que a mobilização anunciada não tinha corrido bem. “É preciso trazer de volta aqueles que foram recrutados sem razões adequadas”, exigiu

Houve manifestações públicas generalizadas de descontentamento de funcionários e cidadãos sobre a forma como a mobilização foi tratada, incluindo reclamações sobre oficiais de alistamento que enviaram papéis de convocação para homens claramente inelegíveis.

Milhares de homens fugiram da Rússia para evitar um recrutamento que foi anunciado como sendo destinado para aqueles com experiência militar e especialidades exigidas: na realidade, a convocatória mostrou-se alheia ao histórico de serviço, saúde, estatuto de estudante ou mesmo a idade dos indivíduos.

Cerca de 2 mil pessoas foram presas em protestos anti-guerra não autorizados em mais de 30 locais na Rússia, muitas das quais receberam prontamente os papéis da mobilização, algo que o Kremlin disse ser perfeitamente legal.

“No decorrer desta mobilização, têm surgido muitas perguntas e todos os erros devem ser corrigidos e impedidos de acontecer no futuro”, avisou Putin. “Por exemplo, estou a pensar nos pais com muitos filhos, ou pessoas que sofrem de doenças crónicas, ou aqueles que já passaram da idade de alistamento.”

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O anúncio da Rússia, a 21 de setembro, da sua primeira mobilização pública desde a II Guerra Mundial atraiu inclusivamente as críticas dos próprios apoiantes oficiais do Kremlin. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reconheceu que algumas convocações foram feitas por engano, garantindo que os erros estavam a ser corrigidos pelos governadores regionais e pelo Ministério da Defesa.

Putin absteve-se de atribuir a culpa pelos erros – seja ao ministério, liderado por seu aliado Sergei Shoigu, ou às autoridades regionais encarregadas de decidir precisamente a quem os papéis de convocação devem ir.

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